domingo, 18 de agosto de 2013

Marx

Sociologia: Karl Marx

Origem histórica do capitalismo:
Artesanato —— Manufatura —— Indústria:
Formação dos burgos.
Divisão social do trabalho.
Renascimento urbano e comercial.
Mudança do trabalho servil para o trabalho assalariado livre.
Surgimento de duas classes sociais fundamentais: burguesia e proletariado.
É a propriedade privada dos meios de produção que torna, essencialmente, o burguês diferente do proletário.

Ideia de alienação:
a) A indústria, a propriedade privada, e o assalariamento alienam (separam) o operário dos meios de produção do resultado final do trabalho.

b) Alienação política: a ideologia liberal impede que o operário perceba que é explorado.

Relação entre as classes sociais: burguesia (burgueses) e proletariado (proletários):

Complementaridade
Interdependência
Exploração
Antagonismo
Conflito
Desigualdade

Trabalho, valor e lucro: o capitalismo vê a força de trabalho como mercadoria. Mas não se trata de qualquer mercadoria, porque o homem é, a única que produz valor.

Valor de uso é diferente de valor de troca !!!

>Mais-valia: É o tempo em que o trabalhador produz e não recebe, porque é convertido em lucro para para o burguês.

• Materialismo dialético (desenvolvimento histórico).

• Materialismo histórico (a história da humanidade possui base material, logo Deus não existe) *a religião é o ópio do povo*

• Desenvolvimento da consciência humana/ produção da vida material

•Tese (capitalismo) -> Antítese (revolução) -> Síntese (socialismo)

• Mais valia : Tempo de trabalho exercido sem salário justo.
  · Absoluta : Mais tempo de trabalho sem aumento de salário.
  · Relativa : Tecnologia maximiza -> produção e lucro {também sem aumento de salário} 

• Lumpemproletariado : traidor da classe operária em favor da burguesia.

• Burguês ≠ Proletariado
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Propriedade privada dos meios de produção

• Estado : balcão de negócios da burguesia.

• Polícia : braço armado do Estado.

• Totalidade da vida social : 
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Superestrutura : (ideologia + política) -> consciência humana / Infraestrutura : produção da vida material (economia)

domingo, 11 de agosto de 2013

Cálculo da mais-valia


Atenção alunos do primeiro ano !!!

Material de apoio para compreensão do cálculo da mais-valia:

A força de trabalho, produzindo um valor maior do que vale, isto é, uma mais-valia, gerou o capital, aumentando ainda mais esta mais-valia através do prolongamento da jornada de trabalho, conseguiu o tal alimento suficiente para a sua primeira idade. 
O capital vai crescendo e a mais-valia precisa ir aumentando para satisfazer essa crescente necessidade. Mas o aumento de mais-valia, comi vimos até agora, não quer dizer outra coisa que prolongamento da jornada de trabalho (absoluta). É claro que essa jornada tem o seu limite natural, que por mais elástica que seja a sua duração. Por mais reduzido o tempo que o capitalista deixa ao trabalhador para que ele satisfaça as suas mais prementes necessidades, a jornada de trabalho será sempre menor do que 24 horas. Portanto, a jornada de trabalho tem um limite natural, e a mais-valia, por conseguinte, encontra um obstáculo instransponível. Indiquemos a jornada de trabalho com sua a linha AD: 
A — B — C — D 
A letra A nos indica o principio, e a D o fim, o limite natural que não se pode ultrapassar. Seja AC a parte da jornada na qual o operário produz o valor do salário recebido e CD a parte da jornada em que o operário produz mais-valia. Como vimos o nosso fiandeiro  recebendo R$ 100,00 de salário, com uma metade de sua jornada reproduzindo o valor de seu salário e com a outra metade produzia R$ 100,00 de mais-valia.  
O trabalho AC, com o qual se produz o valor do salário, chama-s trabalho necessário, enquanto o trabalho CD, que produz a mais-valia chama-se trabalho excedente ou sobre-trabalho. O capitalista esta interessado no sobre-trabalho, porque é ele quem cria a mais-valia. O sobre-trabalho prolonga a jornada de trabalho, o qual encontra seu limite natural D, representando um obstáculo instransponível para o sobre-trabalho e para a mais-valia. E agora, o que fazer? O capitalista encontra logo o remédio. Ele observa que o sobre-trabalho tem dois limites, um D quando termina o fim da jornada; o outro C – quando acaba o tempo de trabalho necessário. O limite D é irremovível; o capitalista não pode criar um dia com mais de 24 horas. Mas o mesmo não acontece com o limite C. Diminuindo o tempo de trabalho necessário C, recuando-o até o ponto B, o sobre-trabalho CD aumenta sua extensão. A mais-valia encontra, assim, uma forma de continuar crescendo; agora, não mais de modo absoluto, isto é, simplesmente prolongando a jornada de trabalho. A partir desse momento, a mais-valia cresce em relação ao aumento do sobre-trabalho e corresponde a diminuição do trabalho necessário. No primeiro tipo de exploração, que chamamos de mais-valia absoluta, o patrão esticava a jornada de trabalho de 10 para 12 horas; no segundo tipo de exploração, que chamamos de mais-valia relativa, o capitalista embolsa,diminuindo o tempo de trabalho necessário. 
O fundamento da mais-valia relativa é a diminuição do trabalho necessário. Esta diminuição se fundamenta na diminuição do salário. E a diminuição do salário se fundamenta na diminuição dos produtos necessários ao trabalhador; portanto a mais-valia relativa é fundamentada no barateamento das mercadorias que servem o operário. 
Alguém está se perguntando agora, se não haveria um jeito mais simples para o capitalista arrancar a mais-valia relativa, se ele, por exemplo, ao comprar a mercadoria do trabalhador, ou seja, a sua força de trabalho, lhe pagasse um salário menor do que lhe cabe; isto é, não lhe pagasse o justo preço de sua mercadoria. 
De fato, este expediente é muito usado. Mas aqui, só vamos considerar a lei das trocas em toda a sua pureza: todas as mercadorias – incluindo a força de trabalho – devem ser vendidas ser compradas pelo justo valor. E, além disso, o nosso capitalista é um burguês absolutamente honesto, jamais usará de qualquer meio para fazer crescer seu capital que não seja inteiramente digno dele. 
Suponhamos que em uma jornada de trabalho de 12 horas um operário produza 6 unidades de uma mercadoria. O capitalista vende essas 6 unidades pelo preço de R$ 75,00. No valor desta mercadoria entram: 
Matéria-prima e meios de produção ---------------------------------------------------------------------------------------- R$ 15,00
Salário --------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------- R$ 30,00
Mais-valia ----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------- R$ 30,00
Total ------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------ R$ 75,00 
Em cada mercadoria ele ganha R$ 5,00 de mais-valia (R$ 30,00 / 6 unidades) e gasta R$ 7,50 (R$ 45,00 / 6 unidades) para produzi – lá.  
Ele vende cada unidade ao valor de R$ 12,50 (R$ 75,00 / 6 unidades). 
Agora, suponhamos que, graças a um novo sistema de trabalho ou simplesmente com o aperfeiçoamento do antigo, a produção duplique: em vez de 6 unidades por dia, o capitalista produza 12 unidades. Vejamos como ficam as contas: 
Matéria-prima e meios de produção (dobro) ----------------------------------------------------------------------------- R$ 30,00
Salário --------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------- R$ 30,00
Mais-valia ----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------- R$ 30,00
Total ------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------ R$ 90,00 
Ele vende cada unidade ao valor de R$ 7,50 (R$ 90,00 / 12 unidades). 
No mercado de hoje, portanto, o capitalista precisa de um espaço maior para vender o dobro de suas mercadorias, o que ele consegue vendendo-as um pouco mais barato (de R$ 12,50 para R$ 7,50). Em outras palavras o capitalista tem a necessidade de encontrar uma razão pela quais suas mercadorias possam ser vendidas, em quantidade duas vezes maior do que antes; e a razão ele encontra, lógico, na baixa de preço. 
Ele venderá os seus artigos a um preço menor que R$ 12, 50, que era o seu preço anterior, mas mais caro do que R$ 7,50 que é o valor de hoje de cada um. 
Digamos que o venda a R$ 10,00 e já terá assegurado o dobro R$ 60,00 – foi o quanto lucrou com a venda de seus produtos – dos quais R$ 30,00 são a mais-valia e os outros R$ 30,00 ele conseguiu da diferença entre o valor real e o preço pelo qual foram vendidos. 
Como vêem o capitalista não dorme no ponto, tirando grande proveito do aumento da produção. Todos os capitalista, são altamente interessados em aumentar a produção de suas indústrias, como acontece hoje em dia em quase todos os ramos da produção. Mas aquele lucro extra que ele retirava da diferença entre o valor da mercadoria e os eu preço de venda dura pouco; o novo ou o aperfeiçoado sistema de produção passa a ser adotado, pelos outros capitalistas. Resultado: o valor da mercadoria cai para a metade. Antes, cada artigo valia R$ 12,50 e agora vale R$ 6,25. Mas o capitalista continua tendo o mesmo lucro, apenas dobrando a produção. Antes, R$ 30,00 de mais-valia em 6 unidades; hoje a mesma mais-valia, R$ 30,00, entretanto em 12 unidades.Mas como os 12 artigos foram produzidos no mesmo tempo em que eram produzidos os 6 artigos, isto é, em 12 horas de trabalho, tem-se sempre os R$ 30,00 de mais-valia em uma jornada de 12 horas, mas o dobro da produção. 
Quando esse aumento da produção atinge os produtos necessários ao trabalhador e sua família, cai o preço da força de trabalho e com isso diminui também o tempo de trabalho necessário, aumentando o sobre-trabalho, que constituí a mais-valia relativa. 

sábado, 10 de agosto de 2013

Metafísica na modernidade

FILOSOFIA - 1º ano 
Metafísica na modernidade
Contexto histórico: Renascimento.
Mudanças:
→ Paradigma de racionalidade que funda-se na própria subjetividade e não mais na autoridade, como era na Idade Média.
→ Confiança no poder da razão: método.
→ Autores importantes: Descartes, Bacon, Locke, Galileu, Kepler e Newton.
→ A questão do método: ruptura com o modelo de compreensão dos períodos antigo e medieval.
* Até a Idade Média, a teoria do conhecimento encontrava-se assentada sobre as construções teóricas de Platão e Aristóteles.
→ Pensamento antigo e medieval: a realidade do objeto e a capacidade humana de conhecer não eram questionadas. O problema era saber se as coisas eram.
→ Idade Moderna: a capacidade humana de conhecer as coisas foi questionada. O problema passou a ser a questão de adequação entre pensamento e objeto.
→ Soluções apresentadas: duas correntes filosóficas.
a) Racionalismo: ênfase no papel da razão no processo de construção do conhecimento.
Principais autores: Descartes, Espinosa e Leibniz.
b) Empirismo: ênfase no papel da experiência sensível no processo de construção do conhecimento.

Principais autores: Bacon, Hume e Locke.
Racionalismo cartesiano: a dúvida metódica.

Descartes:

Inaugurou o caminho para a discussão sobre ciência e ética.
O homem é capaz de construir seu próprio conhecimento.
Sugere a criação de um método tão seguro que seja capaz de conduzir o homem a uma verdade inquestionável.
Importância da matemática: é um conhecimento dominado pela inteligência e não pelos sentidos, assentado sobre a ordem e a medida. É possível ao matemático estabelecer uma sucessão de razões, para deduzir de uma coisa à outra.
Regras estabelecidas pelo autor:
1. Evidência: seleção de uma ideia clara e distinta.
2. Análise: divisão do todo em partes.
3. Ordem: organização dos pensamentos dos mais fáceis e simples para os mais difíceis e complexos.
4. Enumeração: revisão para ver se faltou alguma coisa.
Dúvidas do autor:
a. Os sentidos.
b. Afirmações do senso comum.
c. Argumentos da autoridade.
Cogito, ergo sum (Penso, logo existo): a existência é determinada pela capacidade humana de pensar, porque o "eu" é simplesmente pensamento.
Descartes investiga se haveria no ser humano outras ideias que também fossem claras e distintas. Verifica então três tipos de ideias:
a. Inatas: fazem parte na natureza humana, nascem com o homem.
b. Adventícias: fazem parte da realidade exterior da natureza humana.
c. Factícias: fazem parte da criação da imaginação humana.
Importante: o cogito encontra-se na natureza humana, é inato.
Fonte: FILOSOFANDO
 INTRODUÇÃO À FILOSOFIA
EDITORA MODERNA
MARIA LUCIA DE ARRUDA ARANHA
 Professora da Escola Nossa Senhora das Graças (São Paulo)
 MARIA HELENA PIRES MARTINS
 Professora da Escola de Comunicação e Artes da USP.

Liberalismo e democracia

Filosofia - 2º ano

Liberalismo e democracia - capítulo 25

Século XIX : lutas por direitos políticos e sociais.

Importante lembrar:
Direitos civis, políticos e sociais fazem parte de um conjunto de lutas por igualdade, trata-se da ideia de cidadania.

Conjunto de reivindicações de igualdade:

1) defesa do sufrágio universal
2) ampliação as formas de representar a política
3) exigência de liberdade de imprensa
4) Implantação da escola elementar universal, laica, gratuita e obrigatória.


* Pólos contradição: liberdade (capitalismo) e igualdade (socialismo).
* A cidadania corresponde ao conjunto de lutas por igualdade.

Conflito que deu origem a duas tendências liberais:

1) liberalismo conservador = liberdade sem democracia (sem aspirações igualitárias)

2) liberalismo radical = liberdade com igualdade

Liberalismo inglês

Século XIX: apogeu da Revolução Industrial, criou uma nova ordem, com novos parâmetros econômicos e sociais.

Autores:

Jeremy Bentham: contribuiu para o pensamento liberal inglês com a criação do utilitarismo (a verdade depende dos resultados práticos da ação, uma proposição é verdadeira quando funciona , quando permite que nos orientemos na realidade, levando-nos de uma experiência à outra).
 
Substituição do direito natural (filósofos contratualistas) pelo "princípio da utilidade". Nesse sentido o único critério para orientar o legislador é criar leis que promovam a felicidade para o maior número de cidadãos.


O autor critica as revoluções liberais que levam ao egoísmo.

Objetivos do governo:

1. Prover a subsistência.
2. Produzir a abundância.
3. Favorecer a igualdade.
4. Manter a segurança.


Para que isso seja possível são necessárias:

1. Eleições periódicas.
2. Sufrágio livre e universal.
3. Liberdade de contrato.

Stuart Mill: liberalismo democrático (foi influenciado por teorias diversas, desde o positivismo de Comte até o socialismo de Saint-Simon). Sua esposa Harriet Taylor, feminista e socialista, participou da fundação da primeira sociedade defensora do direito ao voto para as mulheres.

domingo, 28 de julho de 2013

Pensamento conservador (Teoria das Elites)

Contexto Histórico de Ressurgimento do Pensamento Conservador

Pensamento conservador – início: 1890 (até 1920).


A crise dos anos 1890 – 1914

Luta por liberdade e direitos políticos – ampliação da democracia.
A primeira é sempre menos numerosa e cumpre as funções públicas, monopoliza o poder e goza das vantagens a ele inerentes, enquanto que a classe dos governados é numerosa, embora dispersa e desunida é dirigida e regulada pela primeira classe, de modo razoavelmente legal ou de modo razoavelmente arbitrário e violento, fornecendo a esta, pelo menos de modo aparente, os meios materiais de subsistência e os que são necessários à vitalidade do organismo político.

Importante enfatizar também que, segundo o estudo realizado por Mosca, a dominação política exercida por um grupo minoritário dentro da sociedade pode ser presenciada em qualquer sistema de governo: ditadura ou democracia.

A riqueza do termo "elite" remonta a Pareto que alguns anos depois, por influência de Mosca, enunciou a tese segundo a qual em toda sociedade há uma classe "superior" e que detém geralmente o poder político e o poder econômico à qual se deu nome de aristocracia ou elite.

     Depois que Gaetano Mosca formulou a teoria das elites, outros pensadores sociais empregaram o termo "elite" de maneira diversa, dando origem a novos conceitos e teorias. No campo das ciências sociais, por exemplo, o estudo das elites políticas beneficiou o desenvolvimento da ciência política.

Pareto tinha convicção na superioridade das elites econômicas e políticas porque acreditava que as desigualdades sociais faziam parte da "ordem natural" das coisas. Devido à sua intransigente defesa da dominação das elites, e também por ser um crítico contumaz de qualquer forma de regime socialista, Pareto é apontado como o ideólogo precursor do fascismo. Não obstante, ele nunca aderiu formalmente ao regime fascista italiano.

MICHELS, Robert. Sociologia dos Partidos Políticos. Tradução de Arthur Chaudon. Braília, UnB, 1982.

Tema da ordem do dia: organização social (ex: Marx, Weber, Durkheim – devido ao agravamento das questões sociais).

As duas maiores forças ideológico – políticas: o liberalismo e o marxismo estão sob o ataque da crítica do pensamento conservador.

O pensamento conservador dá muita ênfase ao aspecto cultural (a cultura condiciona até a atividade econômica), enquanto o marxista enfatiza o econômico para o liberal, o que é a liberdade é a riqueza.


Pensamento conservador: o conflito não se dá entre classes, mas entre a massa e a elite (esse conflito só se dá em momentos revolucionários. No normal, a massa é conduzida pela elite) e também entre as elites.


O conservador é defensor da intervenção estatal. Ele tende a apoiar estados autoritários. O individualismo massacra valores que lhe são sagrados e cria uma sociedade de massas.


A tensão entre Estado que dá suporte ao capitalismo industrial – financeiro e as lutas dos trabalhadores: gera críticas dos conservadores. Conservadores criticam: estado liberal clássico, democratas e socialistas. Liberalismo havia destruído a sociedade tradicional, exacerbado o individualismo e a competição, degradado os valores morais, religiosos e, conseqüentemente, a coesão social. Isso tudo permitiria a luta de classes e a radicalização dos grupos por mais direitos e pela revolução.

Marxismo nos anos 1890 e sua crise.

Marx morre em 1883. Após a comuna de Paris não se fala mais em revolução. Vigora o período de “paz conservadora”. O partido socialdemocrata alemão era o maior e mais importante partido operário do mundo.

Teoria das Elites

Em toda sociedade existe sempre uma minoria que, por variadas formas, é detentora do poder em contraposição a uma maioria que dele está privada. Entre todas as formas de poder, e particularmente o poder econômico, o poder ideológico e o poder político é que constroem a diferença entre as elites e a maioria das pessoas.

Surgiu a teoria das elites e se desenvolveu pela especial relação mantida entre as elites políticas e o Estado. E essa teoria pode ser redefinida como bem esclarece Bobbio, segundo a qual, em cada sociedade, o poder político pertence ao restrito círculo de pessoas que toma e impõe decisões válidas para todos os membros do grupo, mesmo que tenha que recorrer à força.

Gaetano Mosca


A formulação clássica da teoria das elites é reputada a Gaetano Mosca (1858-1941) nos "Elementi di scienza politica", obra de 1896, que identifica em todas as sociedades, desde as mais primitivas até as sociedades mais evoluídas, a existência das classes dos governantes e dos governados.

A primeira é sempre menos numerosa e cumpre as funções públicas, monopoliza o poder e goza das vantagens a ele inerentes, enquanto que a classe dos governados é numerosa, embora dispersa e desunida é dirigida e regulada pela primeira classe, de modo razoavelmente legal ou de modo razoavelmente arbitrário e violento, fornecendo a esta, pelo menos de modo aparente, os meios materiais de subsistência e os que são necessários à vitalidade do organismo político.

Importante enfatizar também que, segundo o estudo realizado por Mosca, a dominação política exercida por um grupo minoritário dentro da sociedade pode ser presenciada em qualquer sistema de governo: ditadura ou democracia.

A riqueza do termo "elite" remonta a Pareto que alguns anos depois, por influência de Mosca, enunciou a tese segundo a qual em toda sociedade há uma classe "superior" e que detém geralmente o poder político e o poder econômico à qual se deu nome de aristocracia ou elite.

Depois que Gaetano Mosca formulou a teoria das elites, outros pensadores sociais empregaram o termo "elite" de maneira diversa, dando origem a novos conceitos e teorias. No campo das ciências sociais, por exemplo, o estudo das elites políticas beneficiou o desenvolvimento da ciência política.

Vilfredo Pareto

O economista, sociólogo e político francês Vilfredo Pareto (1848-1923) entendia que a Sociologia deveria buscar a verdade, como toda ciência. Ao compreender que os indivíduos agem de maneira não-lógica, Pareto encara os seres humanos como seres que raciocinam sem serem necessariamente racionais. Frequentemente este homem tenta atribuir justificativas pretensamente lógicas para suas ações ilógicas deixando-se levar pelos sentimentos. A vida social é composta majoritariamente por este tipo de ações, guiada por sentimentos mais do que por observações metódicas.

Toda a sociologia de Pareto deriva da sua perspectiva dualista da sociedade, onde encontraríamos indivíduos com qualidades superiores na sua esfera de atividade - a elite - e os restantes - a não elite. A elite tenta acentuar a sua posição social e vai desenvolvendo as suas capacidades para dirigir os outros, ainda que através do uso da força ou da fraude. As massas não são capazes de melhorar a sua situação a não ser os seus membros privilegiados capazes de utilizar as capacidades de que dispõem para subir até a elite. Trata-se, portanto, de uma 'circulação de elites' e não da ascensão das massas como tal, podendo existir transferências de poder entre elites, mas não entre classes. Pareto entende que há apenas a ascensão de indivíduos com determinadas características pessoais.

No "Tratado de Sociologia Geral" (1916), Pareto elabora a teoria do equilíbrio social, que estuda a interação das diversas classes de elite, cujas principais são as elites políticas que tem dois pólos: os políticos que usam a força (os leões) e os que usam a astúcia (as raposas). Já as elites econômicas (com pólos especuladores e nos banqueiros) e as elites intelectuais (onde se contrapõem continuamente os homens de fé e os homens de ciência).


O mais importante destaque do estudo é o processo de decadência das elites, observado por Pareto,ou seja, historicamente as elites lutam entre si e se sucedem umas às outras no exercício da dominação política.
Pareto tinha convicção na superioridade das elites econômicas e políticas porque acreditava que as desigualdades sociais faziam parte da "ordem natural" das coisas. Devido à sua intransigente defesa da dominação das elites, e também por ser um crítico contumaz de qualquer forma de regime socialista, Pareto é apontado como o ideólogo precursor do fascismo. Não obstante, ele nunca aderiu formalmente ao regime fascista italiano.

Pareto também chama a atenção para o fato de que, em qualquer sociedade, os homens são desiguais. As desigualdades entre os indivíduos contribuem diretamente para o surgimento das elites.

Robert Michels

Os estudos de Mosca e Pareto serviram de base para formulação de novas teorias das elites. Dentro deste campo de pesquisa, cabe destacar o estudo do sociólogo alemão Robert Michels (1876-1936), "Partidos Políticos: um Estudo Sociológico das Tendências Oligárquicas da Democracia Contemporânea" (1912). Neste estudo, Michels analisou a dinâmica inerente à política democrática a partir da observação dos partidos políticos de massa.

Com base em evidências empíricas demonstrou que mesmo dentro das organizações partidárias que funcionam num sistema político democrático, há fortes tendências à elitização, ou seja, concentração de poder num grupo restrito de pessoas. A burocratização assume uma característica especial, que é a oligarquização. Para que a organização aja com eficiência, é necessária a criação de um quadro de funcionários que se dediquem em tempo integral a ela. Ora, essa nova posição funcional gera novos interesses, ligados a ela e diferentes daqueles que a base da organização possui. O operário que se torna um quadro profissional do partido não é mais um operário: é um burocrata ou um líder político. Para os militantes da base, a organização é um meio para alcançar um determinado fim, que, no caso, era a revolução socialista. Para o funcionário, a organização torna-se um fim em si mesma, já que seu ganha-pão está no partido (Michels, 1982:223).

Segundo Michels, isto levaria inexoravelmente ao abandono dos ideais revolucionários. Primeiro, porque seus líderes já alcançaram uma posição privilegiada dentro da sociedade; depois, porque uma tentativa revolucionária poderia causar a dissolução do partido (e a perda do ganha-pão). O poder, diz Michels, é sempre conservador. Tal construção teórica é a "lei de ferro da oligarquia". Segundo ela, toda organização gera uma minoria dirigente, com interesses divergentes dos de sua base. Embora os caminhos traçados sejam diferentes, a conclusão é idêntica à de Mosca: só a minoria pode governar.

A maior contribuição da teoria das elites formulada por Michels se refere ao fato, inusitado e paradoxal, de que a elitização ocorre até mesmo no interior das organizações comprometidas com os princípios de igualdade e democracia, ou seja, os partidos políticos de massa.
O conceito de elitização e "lei de ferro das oligarquias" também pode ser aplicado aos sindicatos, corporações e grandes organizações sociais. Uma organização, partido político ou movimento social podem surgir em decorrência de verdadeiros objetivos igualitários e democráticos, porém, com o passar do tempo, a tendência à elitização ou oligarquização se manifesta.

O núcleo de sua tese é que qualquer tipo de organização caminha para a burocratização. Aqui, ele fica com Mosca: a massa, o grande número, é incapaz de se organizar. Quando resolve fazê-lo, deve fatalmente constituir um pequeno comitê para dirigi-la. Isto é a burocratização: não há mais um movimento espontâneo de massa, e sim algo com uma hierarquia, com regras, com disciplina.


Conclusão

A teoria das elites, na visão desses autores, versou sobre o entendimento acerca da existência de uma "nata" de pessoas dirigentes, representativas de uma minoria, que estavam, irremediavelmente, destinadas à liderança, em conseqüência de suas aptidões naturais e superiores e, ainda, em conseqüência da incompetência e da apatia das massas.

De acordo com Mosca, Pareto e Michels, as democracias modernas devem ser consideradas oligarquias eleitas. Nesses sistemas, as diferenças efetivas entre os rivais políticos viáveis são relativamente pequenas e limites estritos são impostos (pela elite oligárquica) sobre o que constitui posições políticas "aceitáveis" ou "respeitáveis". Além disso, a carreira dos políticos depende fortemente das elites econômicas e intelectuais (mídia, etc.) que não foram eleitas.

A formulação clássica da teoria das elites é reputada a Gaetano Mosca (1858-1941) nos "Elementi di scienza politica", obra de 1896, que identifica em todas as sociedades, desde as mais primitivas até as sociedades mais evoluídas, a existência das classes dos governantes e dos governados.

Referências Bibliográficas:

MORENO, Raphael L. Teoria das Elites ou Elitismo. Minas Gerais: UFMG, 2009.
MOSCA, Gaetano. La clase política. México: Fondo de Cultura Económica, 1992.
PARETO, Vilfredo. Trattato di Sociologia Generale. Firenze, Barbera, 1916, 2 vol.
_______. Manual de Economia Política. Tradução de João Guilherme Vargas Netto. 2ª ed., São Paulo, Nova Cultural, 1987.
http://jusvi.com/artigos/21108 (Acesso em 11 de março de 2010).
http://educacao.uol.com.br/sociologia/ult4264u27.jhtm (Acesso em 11 de março de 2010).



sábado, 11 de maio de 2013

Teoria da Burocracia


Teoria da Burocracia: Max Weber

Origens:

  • A fragilidade e a parcialidade das teorias Clássicas e das Relações Humanas, que detinham uma visão extremista e incompleta sobre as organizações.
  • A necessidade de um modelo racional que envolvesse todas as variáveis da organização.
  • O crescimento e a complexibilidade das organizações, passou a exigir modelos mais bem definidos.
A burocracia se baseia na racionalidade, isto é, na adequação dos meios aos objetivos (fins), para que se obtenha o máximo de eficiência.Tipos de sociedade ou poder ou autoridades legítimas:
  • Tradicional: irracional, conservador, patriarcal e patrimonialista.
  • Carismática: irracional, conseguido através do carisma.
  • Burocrática, legal ou racional: racional, conseguido através de normas impessoais.
Tipos de autoridade:
  • Poder: potencial para exercer influência.
  • Autoridade: probabilidade de uma ordem ser obedecida. Ter autoridade é ter poder; mas ter poder não significa ter autoridade[principalmente quando não é legitimada (aceita por todos)].
  • Dominação: o governante acredita ter o direito do poder, e os governados a obrigação de obedecer-lhe.
Fatores que desenvolveram a Burocracia, segundo Werber:
  • Economia Monetária: a moeda racionaliza as transações econômicas.
  • Superioridade Técnica: a Burocracia é superior a qualquer outro tipo de organização.
Características da Burocracia:
  • Caráter legal das normas e regulamentos: é uma organização ligada por normas e regulamentos.
  • Caráter formal das comunicações: são registradas por escrito.
  • Divisão racional do Trabalho.
  • Impessoalidade: relação a nível de cargos, e não de pessoas.
  • Hierarquia: cada cargo inferior deve estar sob supervisão do cargo automaticamente superior.
  • Rotina: o funcionário deve fazer o que a burocracia manda; não tem autonomia.
  • Meritocracia: a escolha das pessoas é baseada no mérito e na competência técnica.
  • Especialização da Adm.: separação entre propriedade e administração.
  • Profissionalização.
  • Previsibilidade: prever as ações; através das normas.
Disfunções da Burocracia:
  • Internalização das regras: as normas passam de "meios para os fins"; os funcionários adquirem uma viseira e esquecem que aprevisibilidade é uma das características mais racionais de qualquer atividade.
  • Excesso de formalismo e papelatório: necessidade de formalizar e documentar todas as comunicações.
  • Resistência a mudanças.
  • Despersonalização: os funcionários se conhecem pelos cargos que ocupam.
  • Categorização como base do processo decisorial: o que possui o cargo mais alto, tomará as decisões independentemente do conhecimento que possui sobre o assunto
  • Superconformidade às rotinas.
  • Exibição de poderes de autoridade.
  • Dificuldade com clientes: o funcionário está voltado para o interior da organização.
  • A burocracia não leva em conta a organização informal e nem a variabilidade humana.    
  • Fonte: http://www.oocities.org/vanio_coelho/MaxWeber.htm

domingo, 5 de maio de 2013

Antropologia (Teoria da Cultura)



Cultura: sistema de classificações coletivas que possui um duplo caráter, histórico e social.

Etnocentrismo e Relativismo Cultural.

Cultura para Edward Tylor (racionalista e evolucionista): conjunto de traços comportamentais e psicológicos adquiridos e não herdados biologicamente, como era comum se acreditar na época.

Existência de uma “unidade psíquica do gênero humano”, que atesta a racionalidade em todas as culturas. Desse modo o autor abordo o tema do preconceito vigente, segundo o qual os povos não europeus teriam um tipo de subjetividade e capacidade mental diferente e, para muitos, seriam menos desenvolvidos.

Cultura para Franz Boas: recusou a proposta evolucionista, lançando as bases da antropologia moderna. Segundo o autor cada sociedade possui um sistema integrado, resultante de um processo histórico peculiar.

Teoria Funcionalista: escola antropológica que sucedeu o evolucionismo.

Bronislaw Malinowski: a função é uma resposta da cultura às necessidades básicas do homem, como alimentação, defesa e habitação. As necessidades da espécie humana não se resumem a questões biológicas, a função social deve responder às necessidades sociais do grupo. A função das relações conjugais e da paternidade, por exemplo, é um processo de reprodução culturalmente definido.

Observação participante: observação, seleção, síntese das instituições sociais. Início do estudo científico da cultura, empírico (etnográfico).

Radcliffe Brown: foi influenciado pelas teorias e métodos de Émile Durkheim, procurou adaptá-los ao estudo das sociedades não europeias.