quarta-feira, 30 de outubro de 2019

Kant: estética.


* A beleza é subjetiva porque depende da percepção individual.

* A beleza é desinteressada porque não existe para atender interesses individuais.

* A beleza agrada de modo universal enquanto o objeto singular.

* A beleza não possui finalidade específica.

* A beleza agrada ao gosto.

* O sublime se manifesta no "terror" que um objeto pode provocar. Ex: Fenômenos da natureza.

* A experiência do sublime causa ânimo ao homem pelo "terror" e inteligência para evitar suas consequências (prazer).

* Terror : faculdade da imaginação.

* Intelecto : faculdade do entendimento.

Liberdade e determinismo

Liberdade no Helenismo- para os estoicos os seres humanos são livres para aceitarem ou não o seu destino.

Liberdade para Kant - para Kant a ideia de liberdade traz em si a ação ética :

● Os seres humanos não são naturalmente bons. É o dever que os torna morais.
● A realidade prática é a vida social, que depende da vontade da ação humana.
● Razão prática envolve a liberdade para a ação ética universal.
● Imperativos: hipotético e categórico.
● Ação por dever a ação conforme o dever.

● Relação entre bússola moral, ética, liberdade, responsabilidade e maioridade.

* Liberdade
* Ética
* Felicidade 
* Emancipação 
* Maioridade 
* Bússola moral 
* Ação boa em si
* Imperativo categórico é diferente de Imperativo hipotético
* Ação por dever é diferente de ação conforme o dever

Ideologias

Ideologia fascista - parte do princípio de super valorização do nacionalismo para o crescimento do país.

Ideologia comunista - parte do princípio de que é possível que todos os seres humanos são capazes de viverem no planeta inteiro sem a propriedade privada. Ex : Estado de natureza para Rousseau.

Ideologia conservadora - parte do princípio de que é importante a manutenção das tradições culturais e qualquer mudança deve acontecer sem rupturas bruscas. 

Ideologia capitalista - parte do princípio de defesa da propriedade privada e o crescimento do país acontece através da sociedade de mercado, onde as pessoas realizam trocas na vida pública para que tenham benefícios privados. 

Ideologia anarquista - parte do princípio de que é possível que os seres humanos vivam sem qualquer controle sobre as suas vidas.

Ideologia nacionalista - super valorização das tradições culturais para o crescimento e desenvolvimento da sociedade.

Para Hegel a ideologia é como uma separação da consciência em relação a si própria.

Para Hegel é o desenvolvimento da consciência que determina o desenvolvimento de todas as esferas da vida humana. 

Para Marx a ideologia é a causa do estado de alienação em que se encontra o ser humano. É desse modo ele é incapaz de perceber a sua relação com o mundo onde vive. 



domingo, 13 de outubro de 2019

República


República significa “coisa pública”, onde a preocupação do governo deve ser bem comum.
República é diferente da democracia em virtude da soberania popular. Desse modo a república pode ser uma ditadura, por exemplo. É possível também existir sem república, desde que haja soberania popular como na Inglaterra, por exemplo.

Federalismo: Quando a sociedade possui estado federado com forte autonomia.
Ex: Brasil e EUA

Unitarismo: Quando a sociedade se encontra subordinada ao poder central.
Ex: França ( República Unitarista)

Presidencialismo: Quando tanto o legislativo quanto o executivo são escolhidos pelo povo através do voto.

Parlamentarismo: Quando o povo elege o legislativo e este escolhe o executivo. Nesse caso o chefe de poder executivo nacional é Primeiro-Ministro ( chefe de governo).

República Parlamentarista o chefe de estado é eleito pelo povo ou nomeado pelo parlamento.

quinta-feira, 10 de outubro de 2019

FILOSOFIA CONTEMPORÂNEA: HABERMAS E O DIREITO.

• INTRODUÇÃO

- J. Habermas construiu ao longo de sua carreira um debate central sobre o agir comunicativo e a possibilidade de m dialogo sensato diante de inúmeras divergências encontradas entre as diferentes sociedades e dentro delas.

- John Rawls discutiu uma teoria da justiça com equidade, colocando em questão todo o modelo social clássico e aplicabilidade dos antigos ideias liberais.

• A FORMAÇÃO DO PENSAMENTO DE HABERMAS

- Lida crítica contra o pensamento positivista e a hipervalorização dos valores sociais do iluminismo.
- Muito da filosofia do autor se inspirou nas teses de Max Weber e suas leituras do papel do agente político.

• AS QUESTÕES CENTRAIS

- O autor criticava a filosofia da linguagem enquanto positivismo lógico, tendo como preocupação a questão central do agir comunicativo, ou seja, a possibilidade de comunicar suas teses diante de diferentes linhas de pensamento.

- Questionamento pragmático = estrutura-se em quatro elementos que se complementam:
A teoria do agir cognitivo, ou seja, a discussão sobre a possibilidade de uma ação voltada para se estabelecer compreensão entre os diversos discursos, uma teoria acerca da sociedade, em que discute as esferas sociais e diferenças entre o sistema político formal e a sociedade em que se vive uma análise teórica da própria racionalidade, em que se inspirado pela teoria crítica retrata o conceito moderno de razão e, por fim, uma análise da própria construção dos ideais no mundo moderno.
Sua obra imprime um novo papel para a filosofia política. A subjetividade foi aos poucos sendo abandonada na discussão do panorama político, dando lugar a uma preocupação mais formalista.

• A BUSCA DE UMA TEORIA DO AGIR COMUNICATIVO

- O problema da intersubjetividade (Considerando que a esta relacionada a linguagem de dois ou mais sujeitos) e a discussão da interação social.

- Habermas propunha a teoria dos atos de fala. As falas perlocucionárias são direcionadas pela intenção do agente e as ilocucionárias pelo significado do enunciado. E nesse segundo ato de fala que reside a possibilidade do debate público.

• SOBRE AS ESFERAS EM QUE SE INSEREM OS DISCURSOS

- Desde Descartes, o sujeito tornou-se o problema central, e para o autor, esse direcionamento acabou tirando dos teóricos posteriores a busca pela compreensão do intersubjetivo.

- A razão comunicativa para o ator é uma razão fraca por ser nativamente aberto á crítica.

• SOBRE UMA NOVA VISÃO DE MUNDO CONSTRUÍDA PELA RAZÃO COMUNICATIVA

- A ideia de um mundo único permitia a proposta de uma linguagem única de um ser único. Entende o mundo como um horizonte compartilhado e direcionado por um saber também compartilhado.

- O que se busca é uma visão mais completa, e não um relativismo dispersante.

• SOBRE A POSSIBILIDADE DE MA ÉTICA AUTÔNOMA

- Ética e política são áreas indissociáveis. Deontologismo (foco no dever) e um universalismo formal (determinar uma regra escrita, valida para todos), como ligar uma ética de tal teor a uma proposta mais discursiva e focada na pluralidade?

- Ética de Habermas evidenciava o debate entre duas perspectivas. Uma o comunitarismo, abandonando uma perspectiva universalista. O autor propunha uma ética do discurso. A ética proposta por Habermas não se apoiava em uma crença na competência dos indivíduos, para legislar e criar as normas, mas em uma capacidade compreensiva de chegar ao consenso. Mantém-se a autonomia do sujeito, mas não o pressuposto de isolamento.

• A APLICAÇÃO DA TESE PARA OS VALORES SOCIAIS

A solução proposta por Habermas = colocar em primeiro lugar o justo sobre o bem particular. Como seria possível garantir a autonomia republicana sem prender a autonomia liberal.

Trabalho, alienação e consumo.

Trabalho: transição do trabalho servil (feudalismo) para o trabalho assalariado e livre (capitalismo).

➡️ Produção de uma nova ideologia porque há uma nova relação no mundo do trabalho (capitalista).

Capitalismo: burguesia em conflito com o proletariado.

Burguesia: possui a propriedade privada dos meios de produção.

Proletariado: vende a força de trabalho em troca de um salário.

Ideologia liberal: conjunto de ideias criadas com objetivo de fazer com que os trabalhadores aceitassem vender a sua força de trabalho em troca de um salário.

➡️ Essas ideias foram difundidas através das instituições sociais.

Instituição social: grupo de pessoas que possui regras conhecidas por todos !!!

Ex: família, escola, academia, igreja.

As instituições sociais produzem normas morais e jurídicas:

➡️ Normas morais (não são escritas) + normas jurídicas (escritas)-> sistema carcerário!-> ressocialização!

➡️ Foucault-> Panóptico de Jeremy Bentham (modelo de sistema carcerário) -> modelo  disciplinar que dociliza o corpo.

Esse modelo de disciplina existe também no mundo do trabalho, segundo a historiadora francesa Michelle Perrot, onde existe disciplina militar e religiosa:

× Silêncio
× Fileiras
× Vigilância
× Punição

# Sociedade de consumo= consumo alienado -> compra além do necessário! Enriquece a burguesia!

Propaganda/publicidade de -> cultura de massa
➡️ Molda os gostos, ou seja, os desejos individuais de consumo.
Ex: Pochete.

"Indústria Cultural" foi a expressão criada por Adorno e Horkheimer, na Alemanha (séc XX) para explicar que no capitalismo tudo o que é produzido é transformado em mercadoria para atender aos interesses da burguesia. A indústria cultural através da reprodutibilidade técnica (cópias) e propaganda cria nas pessoas uma cultura de massa, ou seja, de sociedade de consumo alienado.

quarta-feira, 9 de outubro de 2019

Partidos políticos

O partido político é uma ferramenta para a participação dos cidadãos do cenário político da sociedade onde vivem.

Segundo Max Weber, o partido político é uma associação entre pessoas que têm como objetivo alcançar benefícios materiais ou ideológicos.

2 - Classificação dos partidos políticos:

A) Partido dos notáveis: partido político formado por pessoas que fazem parte das elites locais sem filiação ideológica comum.

B) Organização de massa: partidos políticos formados em torno das lutas trabalhistas e/ou sindicatos.

C) Partidos eleitorais de massa:
defendem a mobilização de eleitores de modo amplo além dos seus filiados.

- Os partidos políticos atualmente usam as redes sociais para divulgar os seus ideais.

- Os partidos políticos tem duas funções: questionar a sociedade e intervir no cenário político.

2.1- Classificação ideológica: os partidos políticos podem ser liberais, socialistas ou conservadores.

 - O sistema partidário:

A) monopartidário: quando na sociedade só tem um partido político.

B) Bipartidário: quando na sociedade existem dois partidos.

C) Multipartidário (pluralidade partidária): quando na sociedade existem muitos partidos políticos.


Antropologia (resumo)

Introdução à Antropologia Cultural

- Antropologia: teoria da cultura.
- Cultura: pode ser entendida como um hábito coletivo, ou seja, o modo como as pessoas na vida em sociedade constroem as normas morais (não escritas) e as normas jurídicas (escritas).

Século XIX: Evolucionismo. De acordo com essa corrente de pensamento natureza e cultura podem ser estudadas de modo equivalente. Trata-se de um processo de naturalização da cultura, como se o comportamento humano na vida em sociedade fosse determinado de acordo com a natureza.

•Tylor era um pensador evolucionista, assim como Marx e muitos intelectuais dessa época. Para eles as culturas se organizavam no mundo de modo hierárquico e segundo o funcionamento da natureza.

* Darwinismo social: proposta segundo a qual as sociedades evoluem de modo hierárquico, tendo a Europa como modelo de civilização a ser alcançado.

* Etnocentrismo: proposta teórica que compreende as culturas de modo hierárquico.

Século XX: crítica ao evolucionismo.

•Franz Boas - lançou as bases da Antropologia Moderna quando criou o conceito de relativismo cultural em oposição ao etnocentrismo.

De acordo com o conceito de relativismo cultural as culturas podem até ser comparadas mas sem hierarquia.

Ex: Etnocentrismo --> sexo (natureza) = gênero (cultura).

Relativismo cultural --> sexo (natureza) ≠ gênero (cultura).

Antropologia moderna:

•Bronislaw Malinowski : introduz a pesquisa antropológica através da etnografia (trabalho de campo após o rito de passagem).

*Rito de passagem: processo que torna o antropólogo capaz de ver o mundo como as pessoas da cultura que está sendo pesquisada.

Para Malinowski todas as sociedades se organizam com a finalidade de atender primeiro suas necessidades mais básicas, tais como habitação, alimentação e defesa. E posteriormente constroem as demais instituições sociais, para atender outras necessidades, como a educação dos mais jovens, por exemplo.

terça-feira, 8 de outubro de 2019

FILOSOFIA CONTEMPORÂNEA: RAWLS E AS QUESTÕES POLÍTICAS ATUAIS.



FILOSOFIA CONTEMPORÂNEA: RAWLS E AS QUESTÕES POLÍTICAS ATUAIS
• INTRODUÇÃO

- Teoria da Justiça = discutindo o papel do cidadão parte de uma comunidade social, de concepções plurais, que tenha por intuito manter os ideais de liberdade e igualdade.

• A BUSCA DE MA TEORIA DA JUSTIÇA QUE SUBSTITUA O UTILITARISMO

- Ética aristotélica, redirecionada pelo utilitarismo X Ética como construção de um ideal de justiça e preponderância do justo sobre o bem plural.

- A teoria da justiça deve considerar o valor da diversidade, ou seja, é uma teoria da justiça da mesma forma que as teorias modernas, que têm uma confiança cega no dever. Essa teoria visa estabelecer a equidade como seu princípio de articulação.

- O papel da justiça é especificar de que maneira será formada a sociedade, no sentido de como devem atuar as instituições sociais na distribuição dos direitos e dos deveres.

• OS ITENS NECESSÁRIOS PARA A CONSTRUÇÃO DE UMA JUSTIÇA COMO EQUIDADE

-  Rawls pode ser considerado contratualista.

- A teoria da justiça pressupõe um consenso original (posição original de igualdade)

- Igualdade e liberdade são princípios funcionais, ou seja, somente com eles é possível iniciar uma discussão em busca de um acordo inicial.

- A mesma racionalidade na construção da proposta de um indivíduo exige dele imparcialidade perante a proposta do outro.

• SITUAÇÃO IMAGINÁRIA DE IMPARCIALIDADE

- Todos os participantes de um acordo social deveriam se submeter ao que o autor denomina véu de ignorância, que pressupõe que no debate da esfera pública, as pessoas desconsideram totalmente suas condições particulares. Quando for tomar uma decisão política deve atender ao interesse público.

- Essa imparcialidade significaria uma negociação desinteressada. A racionalidade então se encaminharia para dois princípios, o da Igualdade no ato de atribuir os direitos e deveres básicos e o das desigualdades econômicas.

PRINCÍPIO DA DIFERENÇA

- Esse princípio compreende a sociedade com base na ideia de cooperação.

- Sociedade se constitui como uma busca do benefício mútuo.

- Rawls não propõe a igualdade plena no sentido econômico, sua visão esta assentada sobre um princípio de garantia de direitos sociais.

• DO CONSENSO CONSTITUCIONAL AO CONSENSO SOBREPOSTO

- O consenso constitucional se encontra na garantia legal dos direitos e deveres, bem como da igualdade de defesa e  proposição

- O consenso sobreposto lido com maior expectativa no contato interpessoal. (Estabelecido pela compreensão e não pela obrigação). Deve direcionar a construção de um conjunto de leis que garanta a igualdade de pensamento, consciência, associação e movimento, bem como garantia dos direitos básicos.

• O CONCEITO DE RAZÃO PÚBLICA E AS DOUTRINAS ABRANGENTES (Elementos fora da razoabilidade pública, 
como religiões e questões ideológicas específicas, como superioridade racial, por exemplo).

Ideologia específica: questão racial é diferente de superioridade racial. Rawls considerou os direitos humanos são importantes, nesse sentido um discurso que fere os direitos humanos não deveria entrar na razoabilidade pública.

John Rawls: entende a razão pública pelo princípio da razoabilidade, ou seja, qualquer política pública deve ser imparcial para garantir a justiça como condição para a igualdade. Desse modo a razão pública não deve ter como foco as “doutrinas abrangentes”, como a questão de Martin Luther King, por exemplo. Temas desse tipo devem ser tratados pela razão pública quando contribuírem para o seu fortalecimento.

Crítica de Habermas ao Rawls: considerou que Rawls tinha em sua proposta de razoabilidade a manutenção da tradição moderna, ou seja, a universalidade da racionalidade ocidental e seus métodos. Rawls acreditava na imparcialidade (pura e original nos moldes de Kant) na razão pública. Habermas diz que isso não acontece porque qualquer coisa que se faça na razão pública parte de um conjunto de posições pré-estabelecidas sem qualquer originalidade.

terça-feira, 1 de outubro de 2019

Idade Média: Patrística e Escolástica.

 Idade Média: Patrística e Escolástica.

-> Alta Idade Média (Patrística):

Período de construção da legitimidade (aceitação) do cristianismo.

Quem se destacou nesse período foi Santo Agostinho, inspirado por Platão.

Teoria da Iluminação: conhecimento revelado pela fé.

A fé se localiza acima da razão.

Cidade de Deus e Cidade dos Homens.

Agostinismo político: o poder político deve estar subordinado à Igreja.

O mal é resultado das escolhas humanas.

Deus põe uma centelha divina na humanidade, mas somente alguns a consideram e se convertem.

-> Baixa Idade Média (Escolástica)

Período de sistematização dos dogmas da Igreja (organização das verdades da Igreja).

Quem se destacou nesse período foi São Tomás de Aquino, inspirado por Aristóteles.

Felicidade consiste na união do cristão com Deus (bem supremo).

A confissão é importante porque aproxima o ser humano de Deus e o faz refletir sobre suas ações.

Leis humanas são diferentes das leis divinas.

A liberdade consiste em agir de acordo com as leis humanas e divinas. A razão deve ser a medida das escolhas humanas (ética da responsabilidade).

O mal se constitui na ausência do bem.

•Provas da existência de Deus. O autor utilizou a construção teórica de Aristóteles.

•Primeira via: primeiro motor imóvel. Se voltarmos no infinito encontramos o primeiro motor, que move todos os outros.

•Segunda via: primeira causa eficiente. Trata-se do efeito causado pelo primeiro motor imóvel.

•Terceira via: ser necessário e os seres possíveis.

•Quarta via: graus de perfeição. São estabelecidas a partir de uma referência, considerada “perfeita”.

•Quinta via: Governo supremo. Refere-se  a uma inteligência que governa todas as coisas de modo racional.


sábado, 28 de setembro de 2019

Indústria cultural

Indústria cultural (Adorno, Horkheimer e Benjamin)

"Indústria cultural" foi a expressão criada por Theodor Adorno e Max Horkheimer para explicar que a reprodutibilidade técnica e a associação entre consumo e felicidade transformam as produções artísticas em cultura de massa, gerando um consumo alienado (sociedade de consumo) que favorece a burguesia. Esse benefício existe por causa da transformação da produção artística em mercadoria.

No modo de produção capitalista tudo o que é produzido, inclusive a produção artística, é transformado em mercadoria para ser consumida gerando lucro para os burgueses.

Burgueses são as pessoas que possuem a propriedade privada dos meios de produção. Eles vivem numa relação de antagonismo, conflito, interdependência e exploração com os proletários, que não possuem a propriedade privada dos meios de produção e por esse motivo vendem a sua força de trabalho em troca de um salário.

OBS: Adorno e Horkheimer faziam parte do grupo de estudos que se chamava Teoria Crítica, na Universidade de Frankfurt, na Alemanha, na primeira metade do século XX.

*Como é construída a cultura da massa?

O samba, por exemplo, é um tipo de produção musical que retrata a visão de mundo das pessoas que moram em comunidades carentes, popularmente conhecidas como favelas. Nesse sentido o samba reflete a cultura popular, produzida pelos setores menos favorecidos na sociedade.

O setor da indústria que trata da produção artística promove a associação entre consumo e felicidade (propaganda/publicidade), além da reprodutibilidade técnica (reprodução de uma determinada produção artística em grande quantidade). Desse modo a preferências das pessoas são "organizadas" para aumentar o consumo e maximizar os lucros dos setores da burguesia que comercializavam as produções artísticas.

Walter Benjamin:

Walter Benjamin não negou os efeitos negativos da "indústria cultural" e acrescentou que a reprodutibilidade técnica prejudica a aura (autenticidade) de uma determinada produção artística. Mas considerou um aspecto positivo da reprodutibilidade técnica, ou seja, o acesso aos bens culturais antes restritos aoa setores mais favorecidos da sociedade (através das cópias).

sexta-feira, 27 de setembro de 2019

Parlamentarismo e presidencialismo.

República:

República significa “coisa pública”, onde a preocupação do governo deve ser bem comum.
República é diferente da democracia em virtude da soberania popular. Desse modo a república pode ser uma ditadura, por exemplo. 

Federalismo: Quando a sociedade possui estados federados com forte autonomia.

Ex: Brasil e EUA.

Unitarismo: Quando a sociedade se encontra subordinada ao poder central.
Ex: França ( República Unitarista)

Presidencialismo: Quando tanto o legislativo quanto o executivo são escolhidos pelo povo através do voto.

Parlamentarismo: Quando o povo elege o legislativo e esse escolhe o executivo. Nesse caso o chefe de poder executivo nacional é Primeiro-Ministro (chefe de governo).

República Parlamentarista o chefe de estado é eleito pelo povo ou nomeado pelo parlamento.

Caráter histórico e social da moral

Caráter histórico – social da moral

•Moral: conjunto de regras que influenciaram as ações das pessoas na vida em sociedade. Ex.: Compreensão sobre o que é justo, injusto, certo, errado...

•Lévi – Strauss: estudou diversas sociedades humanas e compreendeu que a passagem do Reino animal( natural ) para o reino humano( cultura) é produzida pela instauração da lei, como proibição do incesto, por exemplo. Assim se organizou uma relação de parentesco e alianças( acordos ) que vão definir as relações humanas.

Obs.: Cultura pode ser compreendida como hábito coletivo (normas morais e jurídicas) que mudam de acordam com o tempo (caráter histórico) e o lugar (caráter social).

•Caráter social e pessoal da moral:

Primeiro polo contraditório: quando o comportamento do ser humano está completamente de acordo com as normas morais (não escritas) e jurídicas ( escritos). E a educação pelo medo.
Segundo polo contraditório: quando a pessoa se recusa a seguir as normas morais e jurídicas, tornando impossível a convivência social.

•Relação dialética entre os dois polos contraditórios: a liberdade humana deve estar em harmonia com a criação da cultura e, ao mesmo tempo, considerar que a cultura vigente é importante  para as relações humanas.

•Estrutura do ato moral:

Ato moral: de acordo com as normas morais e jurídicas (cultura).

Ato imoral: quando a pessoa conhece as normas morais e jurídicas (cultura) mas age de modo contraditório, violando-as.

Ato amoral: quando a pessoa não conhece as normas morais e jurídicas (cultura).

•Ato voluntário: quando a ação tem um objetivo, sendo capaz de antecipar os resultados.

•Ato responsável: se localiza além do voluntário (moral) porque considera as consequências sobre as outras pessoas.

•Dever e liberdade: para o filósofo Gabriel Marcel a liberdade existe quando é possível transgredir as normas sociais (morais e jurídicas).

sexta-feira, 20 de setembro de 2019

Filosofia, ciência e evolução do conceito de subjetividade.

Filosofia, ciência e evolução do conceito de subjetividade.

- A produção científica sempre esteve relacionada a filosofia, pois, trata da busca de respostas sobre o universo e as relações entre os homens.

- Com o final da idade média houve a possibilidade de produção científica em virtude da separação entre igreja e Estado (laicização do poder).

- August Comte: É considerado o pai da sociologia e acredita que a produção científica deveria organizar todas as relações humanas. Sua perspectiva era evolucionista.

- Subjetividade: Envolve uma percepção individual, íntima e particular.

  Objetividade: É o oposto da subjetividade, pois possui uma percepção coletiva, universal e impessoal.

- Aristóteles: Acreditava que era possível encontrar o conhecimento através do horizonte sensível (observação).

- Descartes: que era possível alcançar o conhecimento através da razão e do método cartesiano (Racionalismo).

- Hume e Locke: Acreditavam que a produção de conhecimento se localizava além da razão. Para eles o fundamental era a experiência empírica (Empirismo).

-> Racionalismo: Método dedutivo, cartesiano.

-> Empirismo: Método indutivo.

- Kant: Construiu o que se conhece na filosofia como "Revolução Copernicana".

E desse modo ele disse que o conhecimento era produzido tanto pela razão (Descartes) quanto pela experiência empírica.(Hume, Bacon e Locke).

- Hegel: Considerou que a construção do conhecimento ocorre através do método dialético (Tese, Antítese, Síntese) tendo o ser humano como ato fundamental a partir do desenvolvimento da sua consciência. 

- Karl Marx: A produção do conhecimento ocorre a partir do materialismo histórico e dialético.

- Darwin: Acreditava que a racionalidade é muito importante para a evolução e sobrevivência humana.

Desse modo, é a evolução que favorece a produção de conhecimento.

- Freud: Acreditava que o ser humano possui um incosciente e que os atos individuais eram influenciados de algum modo por desejos e vontades localizados nessa parte da mente.

Desse modo, os seres humanos não possuem controle completo sobre a própria razão.

Piaget

Piaget
A moralidade (conjunto de valores e normas que influenciam as ações humanas) é construída na vida em sociedade.

1- Os valores são construídos socialmente.

1- Piaget é importante para a educação porque seus ideais estão de acordo com a prática de estímulo de procura do conhecimento.

1.1- Assimilação: Incorporação dos objetos que estão no mundo exterior a esquemas mentais preexistentes.
Ex: O primeiro contato de uma criança com a linguagem.

•Acomodação: Modificação dos sistemas de assimilação por influência do mundo externo.

Ex: Quando a criança aprende o que pode e o que não pode ser dito em determinados grupos
sociais.

1.2- O professor deve considerar que os conteúdos devem estar em harmonia com os estágios do desenvolvimento cognitivo dos alunos.

2- A teoria cognitiva trata da relação de ensino, aprendizagem e desenvolvimento de acordo com os processos de assimilação, acomodação e esquemas.

2.1- Estágio sensorial-motor (0-2 anos): nesse estágio o conhecimento do indivíduo ainda não foi influenciado pelo mundo externo.

2.2- Pré-operatório(2-7 anos): o indivíduo começa a associar os objetos aos seus nomes.

2.3- Operações concretas(7-11 anos): o indivíduo já consegue entender os significados das regras sociais.

2.4- Operações formais(11-15 anos): quando o indivíduo já é capaz de compreender o mundo de modo lógico e organizado.

3- Desenvolvimento da moralidade:
A- Anomia(até 5 anos): as normas de comportamento são determinadas por necessidades básicas.

B- Heteronomia(9-10 anos): quando a pessoa cumpre as regras sociais sem qualquer reflexão crítica.

C- Autonomia (maturidade): quando o indivíduo entende a importância de acordos para a construção dos valores morais.

sexta-feira, 13 de setembro de 2019

Idade média

Idade Média: Patrística e Escolástica.

-> Alta Idade Média (Patrística):

Período de construção da legitimidade (aceitação) do cristianismo.

Quem se destacou nesse período foi Santo Agostinho, inspirado por Platão.

Teoria da Iluminação: conhecimento revelado pela fé.

A fé se localiza acima da razão.

Cidade de Deus e Cidade dos Homens.

Agostinismo político: o poder político deve estar subordinado à Igreja.

O mal é resultado das escolhas humanas.

Deus põe uma centelha divina na humanidade, mas somente alguns a consideram e se convertem.

-> Baixa Idade Média (Escolástica)

Quem se destacou nesse período foi São Tomás de Aquino, inspirado por Aristóteles.

Felicidade consiste na união do cristão com Deus (bem supremo).

A confissão é importante porque aproxima o ser humano de Deus e o faz refletir sobre suas ações.

Leis humanas são diferentes das leis divinas.

A liberdade consiste em agir de acordo com as leis humanas e divinas. A razão deve ser a medida das escolhas humanas (ética da responsabilidade).

O mal se constitui na ausência do bem.

Período de sistematização dos dogmas da Igreja (organização das verdades da Igreja).

•Provas da existência de Deus. O autor utilizou a construção teórica de Aristóteles.

•Primeira via: primeiro motor imóvel. Se voltarmos no infinito encontramos o primeiro motor, que move todos os outros.

•Segunda via: primeira causa eficiente. Trata-se do efeito causado pelo primeiro motor imóvel.

•Terceira via: ser necessário e os seres possíveis.

•Quarta via: graus de perfeição. São estabelecidas a partir de uma referência, considerada “perfeita”.

•Quinta via: Governo supremo. Refere-se  a uma inteligência que governa todas as coisas de modo racional.

quinta-feira, 12 de setembro de 2019

Manifesto do Partido Comunista, por Walter Duarte.

*Walter Duarte é professor de Ciência Política da Universidade Federal do Rio de Janeiro.

Alienação política é diferente de econômica.

O comunista não pode ser alienado em si não é líder, por isso tem que ter o partido político.

Reacionário, conservador e revolucionário são posições históricas para Marx.

Ditadura do proletariado:

Utopia: o q ainda não se realizou ou que é irrealizável.

Ele não atua no campo da moral pq acredita que é resultado das relações produtivas (economia/infraestrutura).

Partes 3 e 4 do Manifesto do Partido Comunista:

A historicidade só existe na luta de classes mas o mundo não se resume a a ela.

Marx pensa numa burguesia que traz em si o proletariado, que tem uma fase revolucionária e assume posteriormente uma postura conservadora.
Os restos feudais que permanecem são reacionários.

Socialismo reacionário:

Socialismo conservador ou burguês:
A palavra Socialista pra Marx não indica revolução mas algo oposto ao individualismo.

Literatura é objeto de superestrutura ideológica e significa algo em síntese na sociedade. Cada tipo de socialismo se encontra relacionado com determinados tipos de sujeitos na sociedade.

O socialismo utópico não possui historicidade.

Socialismo reacionário é feudal:
Socialismo pequeno-burguês: elementos de transição do feudalismo para o capitalismo. Como exemplo podemos citar os pequenos empresários.
Socialismo alemão ou verdadeiro: a literatura francesa quando é importada para a Alemanha não faz sentido porque não corresponde ao hábito coletivo. Falta síntese entre a literatura francesa e a cultura alemã.

Socialismo conservador ou burguês: consciência burguesa de que ela não tem como resolver problema sociais. A ação burguesa no mundo não pode ser conciliada com políticas sociais. A ação burguesa além de criar problemas para a sociedade não é capaz de resolver. Quem reconhece isso é o próprio burguês e por isso se torna filantropo, como exemplo podemos considerar o BIRD, porque é a mãe das ONGs. Trata-se portanto do socialismo burguês. Isso significa consciência conservadora da burguesia. Não é reacionária porque ela não quer voltar no tempo, deseja somente conservar o que conquistou.

Socialismo utópico: nessa época o proletariado não se desenvolveu a ponto de ser um sujeito político na história. O proletariado nesse período ainda não é revolucionário. Ele nasce em antagonismo com a burguesia e é utilizado como massa pela burguesia em sua revolução. Nesse sentido o proletariado ainda não é ato, se encontra em potência. E por isso não tem ainda historicidade, ou seja, um papel na história, porque ainda não tomou seu lugar na história. Ainda não tem iniciativa política.

História para Marx é a transformação que acontecem nas relações econômicas.

Saint-Simon (1760-1825)
Robert Owen (1771-1855)
Charles Fourrier (1772-1836)

O próprio positivismo de Comte se enrazia em Saint-Simon.

O professor chamou atenção para o problema do anacronismo histórico. E destacou que são os filósofos e cientistas sociais que fazem o movimento de historicidade, que se refere ao processo de mudança nas relações em todas as esferas da vida humana.

Comunista é sujeito ideológico e tem que estar em síntese com os sujeitos da história. Ela não pode estar em síntese com os sujeitos conservadores nem reacionários. A única possibilidade de síntese com a burguesia é para a revolução burguesa. Após realizada a revolução burguesa não há nenhuma possibilidade de síntese com a burguesia.
Marx considerou importante considerar a cultura local para a ação política.

segunda-feira, 9 de setembro de 2019

Kant e a Teoria dos Juízos.

  Se preocupou com a questão do Racionalismo e do Empirismo e realizou o que se conhece na Filosofia como (‘Revolução Copernicana’), com a criação da (Teoria dos Juízos).

  Até Kant a preocupação dos filósofos se localizava no processo de conhecimento dos objetos. Kant introduz uma nova questão, acerca da possibilidade do ser humano conhecer o objeto. E desse modo cria os conceitos de ‘coisa em si’ e ‘fenômeno’.

   “Coisa em si”: ideias que têm origem na razão, mas a experiência não fornece as informações fundamentais para que o homem possa conhecer. 

   “Fenômeno”: Tudo o que o ser humano pode conhecer pelos sentidos, razão e experiência empírica. 

    Conhecimento empírico: resultado da experiência empírica, a posteriori.

    Conhecimento puro: independente da experiência. Tal conhecimento é anterior tanto ao "ser" quanto a experiência empírica. 

    Sensibilidade: como os seres humanos se permitem influenciar pelos objetos que o alcançam, tanto no plano abstrato quanto concreto. É através da sensibilidade que o ser humano constrói os conceitos.  

     Filósofo transcendental: preocupado com o modo através do qual é possível conhecer os objetos. 

      • Juízos:

   Juízo analítico a priori independe da experiência, trata-se da tautologia (o predicado contém em si o sujeito). 

    Juízo sintético a posteriori: depende da experiência empírica. 

    Juízo sintético a priori independe da experiência mas se relaciona com ela, porque abordagem as duas possibilidades.

sexta-feira, 6 de setembro de 2019

Teoria conservadora no mundo globalizado.


● Edmund Burke: Manutenção das tradições.

→ (Tradição ≠ Ideias)

→ Burke fez críticas ao Rousseau e ao Locke.
- Rousseau (Liberdade Coletiva + Propriedade coletiva).

- Locke (Propriedade Privada + Liberdade Individual).

● Gaetano Mosca: Massa X Elite

● Vilfredo Pareto:

→ Circulação de Elites: Desigualdade natural entre os homens!

→ Tipo de elites:

- Intelectual: Cientistas/Religiosos
- Econômica
- Política

● Robert Michels: Lei de Ferro das Oligarquias.

Todas as organizações humanas possuem elite e massa

● Mundo Globalizado!

→ Globalização e internacionalização do liberalismo (neoliberalismo).

● Econômico: Neoliberal (sociedade de mercado com mínima intervenção estatal).

→ As demandas das movimentos sociais fazem parte do capitalismo global.

● Cultural: Multiculturalismo (Cultura Global) em oposição à cultura local.


quinta-feira, 5 de setembro de 2019

Karl Marx (completo)

Karl Marx (1818-1883)

Origem do socialismo científico:

Assim como Émile Durkheim e Max Weber, Karl Marx analisou as transformações nas relações sociais após a Revolução Francesa e a Revolução Industrial. As precárias condições de sobrevivência a que eram submetidos os operários nas fábricas chamou atenção de outros pensadores, que ficaram conhecidos como socialistas utópicos. E foi Marx, com seu colaborador Friedrich Engels (1820-1895), que fundou o socialismo científico. Em sua famosa obra O Manifesto do Partido Comunista, identificou que desde a antiguidade havia duas classes em luta, e que o desenvolvimento do capitalismo deu origem a dois grupos sociais em conflito, por possuírem interesses antagônicos: a burguesia e o proletariado.

Engels foi importante para o desenvolvimento do socialismo científico porque além de produzir com Marx, contribuiu significativamente para divulgação das ideias de Marx como uma possibilidade concreta, ou seja, como uma visão de mundo alternativa ao capitalismo. Participou, junto com Marx, intensamente, da primeira internacional (federação internacional dos trabalhadores: 1864 – 1876) e esteve na presente na formação da segunda internacional (federação internacional dos trabalhadores: 1889 – 1914). Com o falecimento de Marx, Engels dedicou-se intensamente à organização dos volumes dois e três da principal obra de Marx: O Capital. Engels faleceu com câncer após iniciar o quarto volume.


Socialismo utópico: Corrente de pensamento formada por autores que se encontravam insatisfeitos com as consequências do desenvolvimento do modo de produção capitalista. Entre tais autores se destacaram o britânico Robert Owen (1771-1858), os franceses Henri de Saint-Simon (1760-1825), François-Charles Fourier (1772-1837) e Pierre-Joseph Proudhon (1809-1865). Embora todos tenham sido criticados por Marx no Manifesto do Partido Comunista, havia algumas diferenças entre suas construções teóricas.

Socialismo utópico:

Para Saint-Simon e Charles Fourier as teorias iluministas acerca do caráter do ser humano foram responsáveis pelo caos consequente da Revolução Francesa.


Segundo ambos havia algo que nascia com o ser humano e que haveria harmonia nas relações sociais se fosse criado um processo de acomodação para reorganizar a vida em sociedade. Para Owen não havia algo inato no ser humano e seu conjunto de atributos individuais é formado a partir de situações externas. Desse modo, para Owen, deveria haver uma reorganização da sociedade no sentido de favorecer a construção de relações que despertassem nas pessoas o desejo de cooperação e não de competitividade. Assim a sociedade caminharia para a passagem do conflito para a harmonia.


PETCIS/UERN: Anarquismo e socialismo utópico.


Proudhon foi o primeiro teórico a fazer uso do termo “anarquia” com a intenção de favorecer os interesses dos operários. Segundo o autor a anarquia representava uma organização social sem qualquer forma de governo que estivesse localizada acima da vontade coletiva.

O fundamento teórico do anarquismo enquanto tendência política encontra-se em seus escritos. A emancipação dos operários deveria ser realizada por meio de uma organização econômica, por cooperação mútua.

Com a divisão social do trabalho os artesãos foram separados das suas ferramentas de trabalho. Na 
Inglaterra foi realizado o cercamento dos campos, no início do século XVII, forçando as pessoas a migrarem do campo para as cidades. Também foi criado um conjunto de leis que favoreceram esse processo. Embora a produção artesanal ainda se encontrasse presente nas manufaturas, os operários já estavam submetidos ao controle do capitalista, proprietário da manufatura e, desse modo, proprietário dos meios de produção. Essa separação entre os trabalhadores e suas ferramentas de produção, segundo Marx, promoveu o estado de alienação porque se estabeleceu uma relação de estranhamento entre o operário e o artigo construído. Por exemplo, se antes da divisão social do trabalho o artesão conhecia todas as etapas da confecção do artigo, após a especialização da mão-de-obra ele passa a executar somente uma etapa. Além disso, o artigo deixou de pertencer a quem o fez, tornou-se propriedade do burguês, novo proprietário dos meios de produção.


http://petcis.blogspot.com.br/2011/05/seminario-de-leitura-da-divisao-do.html

De acordo com a perspectiva teórica de Karl Marx, a sociedade capitalista, além de promover o assalariamento do trabalhador, assim como a sua alienação, promoveu também a transformação do valor dos bens produzidos. Esses deixaram de possuir por finalidade um valor de uso para adquirirem valor de troca. Nesse sentido é possível perceber que o sistema capitalista transforma tudo o que é produzido em mercadoria. A partir do momento em que os bens foram transformados em mercadorias o trabalhador também se tornou uma mercadoria. Esse processo foi denominado por Marx como fetichismo da mercadoria e reificação do trabalhador. O processo de fetichismo da mercadoria pode ser verificado quando a mercadoria é tão valorizada que sobrepõe a seu valor de uso. Essa supervalorização da mercadoria passa a orientar as relações entre as pessoas. A reificação do trabalhador é constituída pela transformação dos seres humanos em “coisas”. Isso significa a desumanização do ser humano, corresponde à sua conversão em mercadoria. O processo de alienação não se encontra restrito às formas de produção de bens, mas também ao modo como as pessoas passam a consumir, ou seja, a adquirir bens.

Com a finalidade de produzir uma sociedade de consumo capaz de promover a maximização constante do lucro, a classe dominante criou uma ideologia que impedisse que a classe operária percebesse a situação de exploração em que vivia. Por ideologia compreende-se um conjunto de ideias capazes de orientar a prática social de um determinado grupo de pessoas.
A França do século XVIII foi analisada por uma historiadora contemporânea, chamada Michelle Perrot. Em seus estudos verificou que dois tipos de disciplina foram responsáveis pela reorganização do mundo do trabalho, o militar e o religioso. A disciplina militar traz em seu bojo a hierarquia e a organização em fileiras, a religiosa possui como característica o silêncio. Desse modo, nas fábricas, foi construída uma estrutura com rígida supervisão e penalidades, a fim de evitar que as regras fossem violadas. Essa nova estrutura do mundo do trabalho reorganizou a sociedade contando com o apoio de instituições sociais, tais como escolas, igrejas, manicômios, cárceres, reformatórios, asilos e quartéis. Coube ao Estado assegurar que essas instituições legitimariam a nova ideologia do trabalho.

Segundo o cientista social e escritor canadense Erving Goffman as instituições sociais desempenham funções importantes na sociedade porque são responsáveis pela modelagem do “eu” individual. Em sua obra Manicômios, prisões e conventos as instituições totais são analisadas minunciosamente pelo autor. Em tais lugares o ingresso do indivíduo caracteriza um momento de ruptura não espontâneo com os atributos individuais humanos, ou seja, com a identidade individual. Trata-se, em última instância, da adesão compulsória ao novo conjunto de atributos, institucionais, que possuem como finalidade a padronização de comportamentos, anulando, desse modo, qualquer tipo de manifestação individual que não esteja previsto no conjunto de regras estabelecidas.

A construção de uma ideologia, assim como a sua difusão, foi indispensável, porque era necessário que os membros da nova sociedade além de obedecer as regras as instituídas as percebessem como benéficas e naturais. Esse processo de naturalização de uma ordem socialmente construída criou nas pessoas a sensação de que aquele modelo de estrutura social era o único possível, reduzindo as possibilidades de resistência e de conflito.

A ideologia liberal foi muito eficiente porque além de criar instituições que legitimassem uma determinada visão de mundo, ou seja, que fossem aceitas pela classe operária como única e possível, também contribuiu para a formação de uma sociedade de consumo, a fim de promover a maximização constante dos lucros dos burgueses, classe social proprietária dos meios de produção. A associação do consumo à felicidade foi fundamental para favorecer esse processo. Esse movimento foi possível porque foi realizada a mercantilização da cultura, onde, segundo Marcuse, importante crítico do capitalismo, a produção cultural passa a atender interesses específicos. Acontece, portanto, a desvalorização da produção cultural em prol do mercado. Fica evidente, portanto, que a mercantilização da cultura corresponde exatamente aos conceitos de fetichismo da mercadoria e reificação do trabalhador.

Materialismo histórico e dialético:

Por materialismo compreende-se a ausência completa de qualquer elemento na vida social que possua natureza incorpórea. Em seus estudos Marx considerou que o materialismo histórico possui algumas premissas, tais como a ausência de autonomia da vida social; a realidade concreta como ponto de partida para análise da vida social; importância do trabalho enquanto processo de transformação da natureza e elemento que põe os atores sociais em relações constantes; importância da natureza para a vida humana, tratando-se de uma relação onde há equivalência. Nesse sentido o materialismo histórico encontra-se definido pelo autor como a forma através da qual os homens de organizam, desde a antiguidade para a produção da vida social, que possui uma base material, sendo, portanto, a vida material responsável pela formação da consciência humana.

Marx identifica nas relações sociais um estado de permanente transformação, um movimento dialético. Ele considera o método dialético como um procedimento científico por ser capaz de explicar as contradições de uma fase de produção material de uma determinada sociedade. Trata-se de um movimento composto por três etapas: tese, antítese e síntese. Sendo a terceira a superação da primeira e da segunda. Movimento este que corresponde à realidade em seus antagonismos, uma vez que nada é estático na vida social.

A compreensão da ideia de totalidade da vida social é muito importante porque em sua perspectiva teórica, Marx considera que as relações entre os homens são determinadas pelas condições materiais. Nesse sentido não existe na estrutura social nenhum elemento isolado, todas as vertentes da vida social se encontram interligadas e em constante movimento, trata-se da infraestrutura e superestrutura de uma determinada sociedade. Localiza-se na infraestrutura a produção econômica da sociedade, que determina a superestrutura social, onde se encontram a estrutura jurídico-política e a estrutura ideológica.

Relações de produção na sociedade moderna:

São as relações de produção que refletem a forma como as pessoas de uma determinada sociedade se organizam para construir os bens que serão utilizados. Tais relações correspondem a uma determinada fase das forças produtivas. Essas, por sua vez, são formadas pelo homem, matéria-prima, ferramentas e técnica. O ser humano é o elemento mais importante das forças produtivas, porque estabelece, por meio do trabalho, a conexão entre os demais elementos. Compreender como são construídas as relações de produção de uma determinada sociedade é muito importante porque torna clara a percepção do funcionamento da totalidade da vida social. As relações de produção são as relações mais importantes da vida social porque determinam as demais relações estabelecidas entre as pessoas, em todas as instituições sociais. Ou seja, a infraestrutura determina a superestrutura (relações de parentesco, leis, religião, ideologias políticas).

Marx denominou modo de produção as relações de produção e as forças produtivas. Estudou diversos modos de produção a fim de compreender relações sociais específicas e identificou que um modo de produção é substituído por outro quando ocorre o desgaste das lutas de classes. Isso significa que as contradições do modo de produção, devido à forma como se dá a apropriação dos produtos gerados, chegaram ao limite, havendo assim a necessidade de construir um novo modo de produção.


Nas relações de produção da sociedade capitalista os produtos são gerados a partir de uma relação de conflito, antagonismo, interdependência e exploração. O operário (proletário) vende a sua força de trabalho em troca de um salário para o proprietário dos meios de produção (burguês). Esse transforma o produto em mercadoria a fim de gerar a mais-valia, que pode ser absoluta ou relativa, que corresponde às horas que o operário produz, mas não recebe.

A mais-valia pode ser absoluta ou relativa. A mais-valia absoluta é extraída a partir do aumento do tempo de trabalho sem aumento no salário. Quando a extração da mais-valia absoluta chega ao limite é possível a extração da mais-valia relativa, através das inovações tecnológicas. Imagine que o operário se recuse a produzir a mais-valia para o burguês, que não venda sua força de trabalho em troca de um salário, ou que deseje cobrar mais caro pela sua mão-de-obra. O que acontece?

O capitalismo faz a manutenção de um exército industrial de reserva através da manutenção do desemprego. Se um funcionário se encontra insatisfeito com as condições de trabalho em que produz, é livre para ficar desempregado e sem dinheiro para suprir suas necessidades básicas, como alimentação e habitação, por exemplo.

Segundo Marx a revolução inglesa, assim como a revolução francesa e a norte-americana possuíam um traço em comum, serviram para consolidar o processo de emancipação da burguesia enquanto classe social em ascensão.

Para o autor a revolução seria o ápice do desgaste do modo de produção capitalista, que culminaria no comunismo. Seria a classe operária responsável por colocar um fim definitivo em todas as possíveis lutas de classes, existentes desde a antiguidade. Assim que chegasse ao poder o proletariado promoveria profundas transformações sociais e morais, construindo uma nova sociedade, em todos os sentidos. Após a revolução caberia ao proletariado a formação de um Estado provisório, que poria fim à propriedade privada dos meios de produção. Esse novo Estado foi denominado for Marx como 
Ditadura do Proletariado, a fim de evitar um movimento contrarrevolucionário da burguesia. Após esse período seria alcançada a sociedade comunista, onde não haveria a necessidade de um Estado nem a divisão da sociedade em classes sociais.

Marx chamou atenção para a existência de um grupo de pessoas que formava o que denominou lumpemproletariado. Eram pessoas que em tempos de crise formavam um grupo tão desorganizado que tendia a apoiar ideologias contrárias aos interesses do proletariado, favorecendo a classe dominante em suas ações reacionárias.

Desdobramentos da construção teórica de Karl Marx

a. As associações internacionais dos trabalhadores.

Em 1864 foi criada a primeira Associação Internacional dos Trabalhadores, que findou em 1876. Marx era responsável por quase todos os documentos produzidos. Após um conflito com Bakunin, teórico anarquista, Marx e Engels encontraram problemas por causa dos seus seguidores, então decidiram aumentar os poderes do conselho geral. Essa medida fortaleceu Bakunin, que foi expulso do movimento. Marx e Engels sugeriram a mudança da sede do conselho geral para Nova York, o que colocaria fim ao movimento em 1876.

A segunda internacional foi construída em 1889, embora fosse majoritariamente livre de partidos e sindicatos, a ideologia predominante era a marxista. Os anarquistas foram expulsos em 1896. Após o falecimento de Engels destacaram-se Kautsky e Plekhanov. Com a iminência da primeira guerra mundial houve uma crise no interior da organização. O apoio dos principais partidos à guerra deflagrou o fim do movimento, por se tratar de um conflito imperialista, que carecia do estímulo ao nacionalismo. Foi exatamente em 1914 que a associação chegou ao fim.
A terceira internacional teve início em 1919, pelos bolcheviques, após a vitória da revolução russa. Sua dissolução ocorreu em 1943, sob a ditadura de Stálin, após a partilha com seus “aliados”.
A quarta internacional foi fundada por Trotsky em 1938, em oposição à segunda e à terceira internacionais. Ainda existe e possui como premissa a teoria da revolução permanente, defendida por seu fundador.

b. A social-democracia alemã e o Estado de bem-estar social: Edward Bernstein.

Foi membro do partido Social Democrata dos Trabalhadores Alemães, construiu uma teoria de revisão das análises marxistas onde se opôs à revolução pela força, assim como à ditadura do proletariado. Segundo ele os trabalhadores deveriam alcançar o poder político por meio da democracia. A socialdemocracia deveria se organizar no sentido de se tornar um partido socialista, democrático e que promovesse reformas. Suas ideias se tornaram conhecidas como revisionistas.

Contexto histórico de construção da proposta teórica de Bernstein:

No final do século XIX, o liberalismo e o comunismo entraram em crise. O pensamento conservador (teoria das elites) ressurgiu com Vilfredo Pareto, Robert Michels e Gaetano Mosca. Nesse cenário político, o partido comunista mais influente da Europa era o SPD alemão -partido social-democrata.
No SPD alemão, houve um conflito entre Edward Bernstein e Rosa Luxemburgo, em virtude da questão dos créditos de guerra. Rosa Luxemburgo se posicionou contra os créditos de guerra em virtude do internacionalismo da teoria de Karl Marx (materialismo dialético). Ela foi assassinada e Bernstein convenceu os operários a votarem a favor dos créditos de guerra e lutarem pela Alemanha, ou seja, em posicionamento nacionalista.

Bernstein desenvolveu uma releitura da teoria política de Marx, que ficou conhecida como revisionismo. Trata-se de alcançar a máxima igualdade pela democracia burguesa (liberal).

c. Liga Spartacus: Rosa Luxemburg e Karl Liebknech.

Movimento fundado por Rosa Luxemburg e Karl Liebkneck em 1915, cujo nome foi inspirado no nome do líder da maior rebelião de escravos na Roma antiga, Spartacus. Sua maior atividade foi no período em que houve a tentativa de uma revolução comunista na Alemanha. As ações repressoras do poder oficial da Alemanha reprimiram o movimento revolucionário a ambos foram assassinados.

d. Escola de Frankfurt:

A Escola de Frankfurt teve origem na Alemanha, nas décadas de 1920 e 1930. Sua principal premissa foi o desenvolvimento de uma teoria crítica, considerada uma ramificação radical do marxismo. Entre seus principais autores destacaram-se Max Horkheimer, Theodor Adorno e Walter Benjamin. A indústria cultural foi objeto de estudo dos três autores, ou seja, a forma com o capitalismo reproduzia os bens culturais. Horkheimer e Adorno perceberam a indústria cultural como instrumento de alienação que tendia a favorecer o desenvolvimento da sociedade de consumo, ao passo de Benjamin percebeu a contribuição benéfica da indústria cultural. Segundo ele as novas técnicas de reprodução ampliariam as possibilidades de acesso às produções artísticas.


Comparação entre os clássicos da Sociologia: publicados em março de 2013.

SOCIOLOGIA BRASILEIRA

As ideias de Karl Marx chegaram ao Brasil e foram analisadas por diversos intelectuais. Um importante intelectual que pensou a sociedade brasileira considerando a proposta teórica de Karl Marx foi o historiador Caio Prado Junior. Sua primeira publicação foi realizada em 1933, denominada Evolução Política do Brasil. Essa obra foi muito importante porque representa o período em que o autor começou um diálogo com o Partido Comunista do Brasil.

Havia uma discussão na época em que Caio Prado Junior construía suas produções teóricas sobre a possibilidade de o Brasil se encontrar numa etapa semifeudal. Foi nesse período que o PCB, em seu V congresso, considerou que seria necessária a existência de uma revolução burguesa e democrática. 

Caio Prado não concordou com essa análise do partido porque considerou que as relações produtivas na sociedade brasileira possuíam natureza capitalista. Para ele seria possível mobilizar os trabalhadores através das lutas por melhores condições de trabalho. Esse processo se constituiria na luta de classes de fato.

Outra discussão importante na época da produção do autor foi referente ao caminho adotado para a construção do socialismo. Seria pela via da reforma ou da revolução? Esse debate pode ser compreendido pela história do Partido Social Democrata Alemão. Entre todos os partidos membros da II internacional, o Partido Social Democrata Alemão possuía maior prestígio. Eduard Bernstein era membro do partido e elaborou uma análise sobre a construção teórica de Karl Marx. Em sua revisão se posicionou contrário à revolução pela força, também se opôs à ditadura do proletariado. Bernstein acreditava na democracia e insistia que o partido deveria ser socialista e realizar reformas. Mas no partido existia também uma ilustre pensadora, Rosa Luxemburg, que junto com Karl Liebknech, fundou a Liga Spartacus. Esse nome possui como motivação uma grande rebelião de escravos que aconteceu em Roma. Ambos acreditavam que não deveria haver nenhum tipo de acordo político entre o partido e o governo alemão no tocante à participação dos membros do partido na primeira guerra mundial, por se tratar de um conflito imperialista e, desse modo, não convergir com os interesses do proletariado. O partido, por sua vez, votou a favor dos créditos de guerra e esse foi o motivo do fim da II internacional.

Caio Prado Junior construiu sua produção teórica de acordo com a sua interpretação da realidade brasileira. Acreditava na possibilidade de ascensão do proletariado ao poder, mas considerava que a trajetória deveria ser construída a partir dos elementos empíricos evidentes. Isso significa que a luta armada seria possível, assim como um processo de transição pacífico, desde que a realidade sustentasse o procedimento escolhido.

O autor considerava também que o sistema colonial no Brasil representava um problema porque representava um obstáculo ao desenvolvimento de um Estado Nacional. A existência de um Estado Nacional seria indispensável para assegurar o processo de organização de um capitalismo gestor de conveniências nacionais, principalmente através do estabelecimento de um mercado interno e de uma produção industrial.

Compreender como as ideias de Marx foram discutidas na sociedade brasileira é muito interessante, mas entender como foi organizado o pensamento conservador é indispensável para uma análise eficiente do cenário político brasileiro.

A construção teórica dos autores conservadores é muito interessante para compreender os desdobramentos da construção teórica de Karl Marx na sociedade brasileira. Vilfredo Pareto, ilustríssimo intelectual, acreditava que os conflitos que existem nas sociedades não ocorrem entre classes, mas entre massa e elite, e somente em períodos revolucionários, até o momento em que os revolucionários são eliminados ou absorvidos pelas elites no exercício de poder. Em momentos de estabilidade política a massa é conduzida pela elite. O processo de ascensão social acontece quando os membros privilegiados da massa conseguem fazer parte da elite. Mas isso não significa que a massa se torna elite, somente alguns membros passam por esse processo. Trata-se da teoria de circulação de elites. A elite é constituída por pessoas talentosas em sua área de formação. Faz parte da elite quem possui status social. A elite mais importante é a elite política, formada nas universidades, são as pessoas responsáveis pela administração da máquina política. São indivíduos cujas ações possuem legitimidade e constroem relações que favorecem suas ações.

Em relação à construção teórica de Karl Marx, Pareto admite que ainda que a propriedade privada seja destruída, a paz entre os homens não pode ser alcançada. Isso acontece porque todas as revoluções levarão a substituição da minoria privilegiada e governante. A história das sociedades humanas é a história da substituição de elites que exercerão poder. Ao realizar análises sobre as origens das quedas das elites em exercício de poder político, percebe que a utilização da força é sempre necessária em alguma proporção. As ações humanas possuem predominantemente motivações irracionais, quem age de modo racional ascende à elite. Desse modo a desigualdade faz parte da natureza humana, uma vez que somente algumas pessoas possuem as habilidades necessárias para fazer parte da elite.

Max Weber

Max Weber (1864-1920)

Contribuição de Max Weber para a construção da Sociologia como disciplina científica. Max Weber foi um importante autor para construção da Sociologia como disciplina científica, na Europa, sobretudo na Alemanha, onde nasceu. Suas ideias refletem o momento histórico em que viveu. A Alemanha vivenciou seu processo de industrialização de modo tardio, em relação à Inglaterra e a França, cuja burguesia se desenvolveu ainda no século XVIII, mesmo período em que nasceram o 

Positivismo e o Evolucionismo. Essas correntes teóricas deram origem ao início de construções sociológicas que visavam desenvolver métodos que fossem capazes de explicar as transformações daquela época.

Para compreender a natureza, ou seja, a origem das ações das pessoas na vida em sociedade Max Weber construiu um método muito interessante. Sua construção teórica ficou conhecida como Sociologia Compreensiva, porque busca a compreensão das relações estabelecidas na vida em sociedade. Seu objeto de estudo é a ação social do indivíduo em relação à sociedade. A ação social possui um caráter subjetivo e seu método consistiu em estabelecer comparações para estudar a realidade social na medida em que se encontra centrada:

a. em relações humanas;

b. no desenvolvimento das sociedades orientais e ocidentais, buscando semelhanças em situações históricas semelhantes.

Tipo ideal: relação indivíduo e sociedade.

Tipos ideais são modelos construídos a partir de um conjunto de características comuns. De acordo com o tipo ideal é possível compreender as ações dos indivíduos na vida em sociedade. Trata-se da criação de conceitos que servem como instrumentos metodológicos para medir a realidade. As atitudes explicam a conduta social. Estudar a natureza e operação desses fatores, considerando que são influenciados por outras ações individuais constitui o caminho para se compreender a situação social e entender as intenções.

● Ação social: qualquer comportamento humano, com referência a outro ser humano, podendo ocorrer no passado, presente ou futuro, com uma prevenção. Nesta ação não há necessidade de um terceiro indivíduo.

● Relação social: a unidade mínima é o indivíduo, que se refere ao outro. É o conjunto de ações sociais, por interação.

● Oportunidade: conjunto de possibilidades existentes, em que haja reciprocidade.

● Estrutura social: existe se houver oportunidade, ainda que todas as estruturas mudem. Quanto menos forem as oportunidades, mais frágeis serão as estruturas.

● Principais tipos de atividades sociais:
a. Societária: regulada de acordo com um estatuto, regulamento estabelecido pela vontade dos membros.
Exemplo: centros acadêmicos em universidades (instituições de ensino superior).

b. Entendimento: estrutura social que não repousa em nenhum estatuto.
Exemplo: grupo de amigos.

c. Institucional: estatuto editado (em geral), regulamentado explicitamente, que independe da vontade dos membros.
Exemplo: família.

d. Agrupamento: estrutura a qual o indivíduo adere espontaneamente, sem que haja um regulamento explícito ou sequer definido. Trata-se da submissão a uma autoridade que exerce uma atividade que pode gerar um constrangimento sobre os membros.
Exemplo: liderança carismática.

Tipos ideais de ação social:

Conceito vinculado necessariamente ao comportamento humano. Nem toda ação é uma ação social. 

A ação social é a mais primária entre todos os indivíduos porque possui uma motivação, um significado, um sentido subjetivamente visado para você e para o outro. Nesse sentido a reciprocidade é indispensável.

a. Ação tradicional (irracional): encontra-se arraigada no comportamento, resulta do estímulo do cotidiano. Determinada pelo hábito. Trata-se de uma prática tão comum em seu cotidiano É tão irracional que o indivíduo nem percebe.

b. Ação afetiva (irracional): encontra-se relacionada ao sentimento de satisfação imediata. O indivíduo satisfaz suas necessidades, de naturezas diversas. Trata-se de agir em função das paixões momentâneas. Esse tipo de ação opera sentimento. Esta subjetividade deve ser analisada para que haja regularidade.

c. Racional Moral (visando valores): trata-se do comportamento norteado por perspectivas de valor (moral de convicção). Esse tipo de ação é norteado por perspectivas de valor (moral de convicção). A decisão é sustentada por princípios.

É MUITO IMPORTANTE PERCEBER QUE A AÇÃO RACIONAL MORAL É DIFERENTE DA AÇÃO TRADICIONAL.

→ “Os julgamentos de valor são pessoais e subjetivos... O julgamento de valor é uma afirmação moral ou vital, a relação aos valores é um procedimento de seleção e de organização da ciência objetiva”

→ “O problema da escolha dos valores nos introduz a ética da convicção, que incita a agir de acordo com os nossos sentimentos, sem referência, implícita ou explícita, às consequências. Weber dá dois exemplos: o do pacifista absoluto e o do sindicalista revolucionário.

O pacifista absoluto se recusa incondicionalmente a portar armas e matar seu semelhante. Se ele pensa que irá impedir as guerras com essa recusa, é um ingênuo e, no plano da moral da responsabilidade, ineficiente. Mas se seu objetivo é simplesmente agir de acordo com a sua consciência e se a própria recusa é o objeto de sua conduta, se torna sublime ou absurdo, não importa, mas não pode ser refutado. Quem proclama: antes a prisão e a morte do que matar seu semelhante está agindo de acordo com a ética da convicção. Pode-se não lhe dar razão, mas não se pode demostrar que está enganado, pois o ator não invoca outro juiz a não ser sua própria consciência, e a consciência de cada um é irrefutável medida em que não tem a ilusão de transformar o mundo, e a única satisfação que ambiciona é a própria fidelidade. No plano da responsabilidade, pode ser que os pacifistas não contribuam para suprimir a violência, mas apenas para a derrota da sua pátria. Estas objeções, contudo, não preocupam os moralistas da convicção. O mesmo acontece com o sindicalista revolucionário, que diz não à sociedade, indiferente às consequências imediatas ou a longo prazo da sua recusa; na medida em que tem consciência do que faz, ele escapa às críticas científicas ou políticas dos que se colocam no plano dos fatos.”

Fonte:
ARON, Raymond. As Etapas do Pensamento Sociológico; tradução Sérgio Bath. – 7ª ed. – São Paulo: Martins Fontes: 2008. – (Coleção Tópicos)
d. Ação racional com finalidade: trata-se da ação planejada visando um objetivo definido. A motivação possui a responsabilidade como fio condutor da ação. A racionalidade norteia esse tipo de ação.

Estado e Sociedade

Tipos ideais de dominação legítima: relação entre Estado e sociedade:

Poder

Em geral entendemos por poder a possibilidade de um indivíduo, ou de um grupo de indivíduos fazer com que sua vontade seja atendida em uma ação comunitária, inclusive contra a resistência dos que fazem parte do grupo. O sentido da ação comunitária é determinada pelos líderes. A relação entre líderes e liderados são relações de poder e dominação, se há resistência ou consentimento. O que determina o tipo de dominação é o que os seguidores têm em mente, o motivo pelo qual obedece, a partir do motivo é possível identificar o tipo de dominação.

Dominação e Legitimidade

A dominação é um caso especial de poder, ocorre quando há legitimidade, consentimento, aceitação.
Há dois tipos de legitimidade: extraordinária e de rotina diária.

Rotina diária

Em relação à rotina diária há dois tipos: tradicional, patrimonial; racional-legal (burocrática).
Tipo puro de dominação: quando uma comunidade ou indivíduo se considera em rotina diária.
Momento em que as situações acontecem como deveriam, ou seja, que estão certas de acordo com a perspectiva de quem obedece, então ocorre a legitimidade.

Momento extraordinário

Momento extraordinário: exige a existência de uma pessoa cujas ações não sejam norteadas pela tradição nem pela racionalidade. Essa pessoa possui legitimidade porque quem a obedece acredita que ela cumprirá uma missão, porque possui dons extraordinários de corpo e de espírito, para conduzir seus líderes para a rotina diária. Ou seja, as qualidades dessa pessoa devem conduzir a comunidade para a tradição ou para a racionalidade. O término ou falha do cumprimento da missão faz com que os liderados desconsiderem o líder carismático. A condução da comunidade ao estado de rotina diária, normalidade deve acontecer.

Política

Segundo Max Weber por política compreende-se qualquer tipo de liderança independente em ação. A ação política do Estado se define por seus meios específicos e peculiares: a violência. As relações de poder entre Estado e sociedade se estabelecem por meio da ação política, podendo ser utilizada a força física. A violência não o único meio de ação do Estado. O conceito de Estado só existe porque existem instituições sociais que conhecem o uso da força física. A violência legítima é exclusiva do Estado em seu território e se alguém além do Estado o faz é com a sua permissão. Isso significa que se existe na sociedade brasileira o emprego do uso da violência física é porque o Estado permite ou o faz diretamente por meio da sua força policial. A ação da polícia na sociedade é legal e legítima. É legal porque se encontra amparada pela lei e legítima porque existe aceitação por parte da população.

Dominação legítima: tipos mais puros.

a. Tradicional: é irracional e possui como principais características a hereditariedade e hierarquia. Precede a dominação racional-legal.
Exemplo: coronelismo, realeza, patrimonialismo, ou seja, relações de poder personalizadas.

b. Carismática: é irracional e quem obedece ao líder o faz porque acredita que ele possui características excepcionais para resolver uma situação de crise. O líder carismático existe porque há um momento extraordinário. É sua função executar a missão que se encontra em seu poder e conduzir a comunidade à rotina diária. Exemplo: Fascismo.

c. Racional-legal: existe obediência à um determinado conjunto de regulamentos registrados por escrito. A obediência existe em relação ao estatuto.
Exemplo: burocracia.

Ciência e política: duas vocações.

Política como vocação: é possível a ação política por vocação?

A palavra política encontra-se empregada pelo autor no sentido da sua orientação. Quem faz política almeja o Estado, porque deseja a intervenção por meio do uso legítimo da força física. O consentimento pode ser alcançado por meio da rotina diária ou por meio do momento extraordinário.

É possível viver a política de dois modos distintos:

1.Viver da política: político profissional. O jornalista é um exemplo de político profissional, porque embora não almeje o Estado faz uso da palavra impressa para defender quem lhe beneficiará futuramente. Trata-se do demagogo.

2.Viver para a política: político que defende uma causa, não precisa da política para ter dinheiro. Participa da vida política a fim de contribuir. O político por vocação deve possuir três qualidades:

2.1. Paixão: deve existir moderadamente e não pode predominar sobre as demais. Essa paixão não se relaciona com a emoção, mas com uma objetividade latente.

2.2. Senso de responsabilidade: o político deve avaliar as consequências da sua conduta.

2.3. Senso de proporção: o político deve ser capaz de permitir que a realidade atue sobre ele sem perder o equilíbrio. Por isso é necessário o desapego.

Max Weber não considera que haja problema em existirem alianças políticas, mas o político deve possuir habilidade para construir as alianças políticas. Do ponto de vista ético e legal realmente não há problema, todavia deve ser analisado cautelosamente o jogo de forças, a fim de que não se perca o controle. Entre adversários ideológicos em algum tipo de aliança política, a traição não é condenável, somente entre lados regidos pelo mesmo princípio ideológico.

Como o ser humano não gosta de ser contrariado, a política é um meio para o exercício de dominação. Por isso a legitimidade é importante para as relações de poder estabelecidas em sociedade. É através da legitimidade, ou seja, da aceitação do outro ao nosso comando que conquistamos o que desejamos.

Ética e Política

Ética e política se relacionam na medida em que a ética reflete a criação das regras pelos homens e a política implica numa intervenção sobre alguém. Como não há consenso nem neutralidade absoluta num corpo social sempre haverá alguém contrariado. É possível identificar dois tipos de ética:

a. Convicção ou de valores: referente aos princípios absolutos, as ações do político estão voltadas para o benefício próprio, num plano moral.

b. Responsabilidade: referente às ações do político em relação ao grupo. São morais as ações que forem úteis para a coletividade.

Ciência como vocação:

O que a ciência tem a dizer sobre a vida de cada indivíduo?
Como alguém pode se dedicar a algo que exige superação?

A ciência foi responsável pelo processo de desencantamento do mundo, caracterizou a retirada da religião, da magia, do estado teológico, do fetichismo, do sobrenatural das explicações acerca das relações entre os homens e a natureza. Essa é a pretensão da ciência, promover o desencantamento, ou seja, explicar de modo racional o que antes era atribuído ao sobrenatural.

A ciência responde certas questões de forma diferente. São questões que somente as universidades e as associações científicas respondem. A produção científica não possui como objetivo promover o cientista, mas, sobretudo o conhecimento nela contido. Quando o cientista faz uso do conhecimento para se promover se dedica a si mesmo e não à ciência em si. O cientista é percebido pelo autor como alguém que está sujeito a ser superado. A ciência deve possuir um valor em si mesma, não é neutra porque é refutável e deve ser protegida contra valores que não sejam os seus. A ciência implica racionalização, com latente valorização do cálculo, a fim de promover a maximização do lucro na moderna sociedade capitalista.

A ética protestante e o espírito do capitalismo.

Para viver o espírito do capitalismo o indivíduo precisa ser um asceta. O capitalismo por si mesmo não engendrou a conduta asceta, quem a criou foi o protestantismo, mais especificamente o calvinismo.

Os protestantes são pessoas dotadas de uma disciplina própria da religião. Esse ethos diante da vida e do trabalho favoreceu o desenvolvimento do capitalismo nas sociedades cuja religião predominante foi a protestante.

O tipo ideal de conduta religiosa capaz de promover o desenvolvimento do capitalismo qualitativamente foi a protestante calvinista. O ascetismo católico e luterano não foi capaz de contribuir significativamente porque para o primeiro deve ser esperada uma recompensa após a morte, e para o segundo a ação humana é dispensada como elemento que torna possível a salvação, reafirmando a concepção tradicionalista da vida na Terra.

Na Alemanha do tempo de Weber os homens de negócios bem sucedidos, proprietários de capital,
assim como os trabalhadores mais bem sucedidos em sua carreira profissional eram, em sua maioria, protestantes.

A reforma protestante promoveu a inovação das formas de controle sobre o cotidiano das pessoas. Isso aconteceu porque diferente dos católicos, que preferiam, majoritariamente, a aprendizagem oferecida pelos ginásios humanísticos, os protestantes optavam, em sua maioria, pelo ensino ofertado em instituições que valorizavam o saber técnico para execução de funções comerciais e industriais. 

Nesse contexto social o homem encontra-se envolvido pela ideologia de que a aquisição de dinheiro é a finalidade da vida, mas não se trata de ganhar dinheiro de qualquer modo, mas de forma honesta, de acordo com parâmetros estabelecidos em leis instituídas. Esse tipo de aquisição de dinheiro é reflexo do modelo ensino a que o protestante foi submetido, ao formato de educação que recebeu. A disciplina foi indispensável para o êxito dos protestantes na nova ordem econômica.

A aquisição do dinheiro não destinada à conquista de bens materiais, mas para realizar a multiplicação por meio da maximização constante do lucro.

A honestidade também foi importantíssima para o desenvolvimento do capitalismo. Weber identificou que, onde o desenvolvimento burguês-capitalista, de acordo com os padrões ocidentais, se encontrava atrasado, as pessoas não se preocupavam em ganhar dinheiro de modo honesto em relação às leis vigentes.

O capitalismo não é um sistema, mas, sobretudo, uma ação racional relativa a fim, ou seja, à maximização constante do lucro na moderna sociedade capitalista. A principal motivação para o capitalismo é o seu “espírito”, fazer do capitalismo um valor em si mesmo, na medida em que usa o dinheiro com a finalidade de gerar mais dinheiro. Essa perspectiva tem origem no modo de vida calvinista. O ethos foi o hábito proveniente de uma educação que criou valores, normatizou comportamentos e atitudes diante da vida e do trabalho.

O protestante é o sujeito coletivo, ainda que a sua ação seja individual, porque o social só existe se cada um vivê-lo. Nesse caso o espírito do capitalismo só existe se o sujeito, em ação individual, viver a sua representação. Porque toda e qualquer criação carece de atores sociais para representá-la. Mas não se trata aqui de qualquer protestantismo, mas um tipo específico, cuja ação dos seus membros é racional relativa a valores, que não exclui a existência de uma finalidade, que é a salvação.

Para o católico a sua igreja detinha o poder de determinar quem seria salvo, o absolvia e realizava um sistema de compensações, para o calvinista sua vida deveria corresponder a um método específico de conduta, ou seja, uma rígida disciplina. Era uma conduta que conduzia o cristão à salvação. Houve a substituição da ética católica, que consistia na existência de uma aristocracia espiritual dos monges, pela ética da predestinação. Ao contrário dos monges, que ocupavam uma posição social à parte do mundo, os protestantes predestinados eram pessoas que formavam um novo segmento social, igualmente valorizado por Deus, mas inseridos no mundo.

No processo de construção da ética asceta protestante calvinista foi realizada uma sistematização das informações contidas no Velho Testamento, que embora possuísse uma moral tradicionalista, estavam também componentes que favoreceram o desenvolvimento do pequeno-burguês, principalmente nos livros intitulados Salmos e Provérbios. A raiz do perfil utilitário da ética calvinista localiza-se no ideal de vocação como área estabelecida para a realização de determinada atividade.

A doutrina da predestinação possui natureza na convicção de Calvino acerca da sua salvação, que estava centrada na confiança depositada em Cristo. Era a fé persistente, em última instância, o único elemento capaz de diferenciar os eleitos dos não eleitos, uma vez que as experiências de ambos podem ser semelhantes.